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Gigantes do chocolate na Páscoa: países da UE que alimentam o setor mundial

ARQUIVO. Coelhos de chocolate aguardam decoração na chocolataria Cocoatree, em Lonzee, Bélgica, abr. 2020
ARQUIVO. Coelhos de chocolate aguardam decoração na chocolateria Cocoatree, em Lonzee, Bélgica, abril de 2020 Direitos de autor  AP Photo/Virginia Mayo
Direitos de autor AP Photo/Virginia Mayo
De Quirino Mealha
Publicado a
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Indústria de chocolate do continente continua a operar à máxima capacidade, reafirmando a posição de líder mundial incontestado no processamento e exportação de cacau.

Europa continua a ser a maior região do mundo tanto na produção como na exportação de chocolate, mantendo um papel central na cadeia de abastecimento global.

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Num contexto em que o setor regista um crescimento significativo apesar da subida dos custos de produção, um pequeno grupo de Estados-Membros da UE, liderados pela Alemanha e pela Bélgica, continua a dominar o mercado mundial através de uma rede sofisticada de centros de comércio e produção.

Segundo um relatório publicado em fevereiro pelo Centro Neerlandês para a Promoção das Importações (CBI), o mercado europeu de chocolate foi avaliado no ano passado em cerca de 52 mil milhões de dólares (44,86 mil milhões de euros).

O CBI cita ainda outro estudo da empresa de pesquisa de mercado Mordor Intelligence, que aponta para um crescimento ligeiro deste valor para 52,38 mil milhões de dólares (45,19 mil milhões de euros) em 2026 e para cerca de 65,78 mil milhões de dólares (56,75 mil milhões de euros) em 2031, impulsionado pela combinação da tendência de “premiumização” e de uma forte procura sazonal.

Sendo o principal produtor de chocolate, a Europa é o maior importador mundial de grão de cacau e detém também o título de maior importador de produtos semimanufaturados, incluindo pasta, manteiga e pó de cacau.

O continente acolhe igualmente alguns dos mais importantes entrepostos comerciais do setor, sobretudo nos portos do Mar do Norte, e regista o maior consumo de chocolate per capita a nível mundial.

Nesta Páscoa, os consumidores enfrentam, porém, uma fatura mais pesada, já que os preços do chocolate subiram um pouco por toda a região devido a constrangimentos na oferta e ao aumento dos custos operacionais.

Alemanha e Bélgica: coração da indústria do chocolate

A Alemanha mantém-se na liderança da indústria europeia do chocolate.

De acordo com dados do Eurostat relativos a 2025, as vendas de chocolate e preparações de cacau no país atingiram um valor total de cerca de 9,42 mil milhões de euros.

O país é o principal fornecedor do mercado interno da UE, apoiado numa vasta base industrial que fabrica desde tabletes para o grande consumo até produtos sazonais.

Os fabricantes alemães têm registado uma procura persistente e robusta, com o país a exportar mais de 4 milhões de toneladas de produtos à base de cacau por ano.

A Bélgica surge como o segundo grande polo de gama alta do continente, onde a indústria assenta mais no prestígio do que no volume.

Dados do Eurostat do último ano indicam que as exportações belgas foram avaliadas em cerca de 3,04 mil milhões de euros, um valor que ilustra o elevado valor acrescentado das pralinas e dos ovos de luxo belgas.

Enquanto a Alemanha domina em volume, a Bélgica está no centro da tendência de “premiumização”, com alguns dos mais reputados chocolatiers do mundo sediados no país.

Os portos de Antuérpia e Bruges continuam a ser portas de entrada essenciais para as matérias-primas que alimentam esta produção de gama alta, garantindo que o chocolate belga se mantém como referência mundial de qualidade durante a época da Páscoa.

ARQUIVO. Pintos da Páscoa a serem preparados na Burie Chocolatier, em Antuérpia, Bélgica, abril de 2012
ARQUIVO. Pintos da Páscoa a serem preparados na Burie Chocolatier, em Antuérpia, Bélgica, abril de 2012 AP Photo/Geert Vanden Wijngaert

Polónia e Países Baixos: novas estrelas e plataformas do comércio

Um dos desenvolvimentos mais marcantes no mercado europeu é a rápida ascensão da Polónia. Hoje firmemente afirmada como o terceiro maior exportador em valor na UE, a Polónia tornou-se um polo de produção vital para marcas multinacionais.

Segundo dados do Eurostat relativos a 2025, as exportações polacas de chocolate foram avaliadas em cerca de 2,49 mil milhões de euros, tendo o país registado uma das subidas de preços mais acentuadas da região, na ordem dos 32%.

Apesar destas pressões inflacionistas, as modernas instalações de produção da Polónia e a sua posição estratégica na Europa Central permitiram-lhe ultrapassar concorrentes ocidentais mais estabelecidos em termos de crescimento.

Os Países Baixos fecham o grupo dos quatro principais, desempenhando um papel único e indispensável como coluna vertebral logística do setor. Embora o valor das exportações de chocolate acabado ronde 1,21 mil milhões de euros, este número não traduz totalmente a influência do país.

Os Países Baixos são o maior transformador mundial de grão de cacau, e o porto de Amesterdão funciona como principal porta de entrada das importações de cacau para o mercado europeu.

Como principal importador de grão e um dos maiores exportadores de manteiga e pó de cacau, a indústria neerlandesa fornece os componentes essenciais de que os fabricantes alemães, belgas e polacos dependem para criar a maioria dos seus produtos finais.

À medida que o apetite global por chocolate continua a crescer, os quatro principais exportadores e produtores europeus parecem bem posicionados para manter a sua influência no mercado.

Tudo indica que, no mundo do chocolate, a Europa não está disposta a deixar derreter a sua vantagem.

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