O conflito armado no Médio Oriente tem mudado os hábitos de consumo dos gregos na época da Páscoa.
À medida que se aproxima o tempo da Ressurreição e que o subsidio de Páscoa é depositado nas contas dos trabalhadores do setor privado, na Quarta-feira Santa, o mercado torna-se mais movimentado.
No entanto, no mercado de carne de Varvakio, onde tradicionalmente se compra o tradicional borrego, os talhantes não estão contentes. Segundo eles, todos os anos é pior, pois as pessoas estão a limitar as suas compras devido à pressão generalizada dos preços e à guerra no Médio Oriente, que, para além dos preços, também afeta o seu psicológico. Embora o movimento tenha aumentado em relação aos dias anteriores, é mais limitado em comparação com a Semana Santa dos anos anteriores.
George Pirlimpos, proprietário de um talho, em entrevista à Euronews confirmou haver menos consumidores: "A razão é a inflação, porque os gregos ficaram mais pobres e os produtos ficaram mais caros, mas também a guerra, porque está no subconsciente das pessoas guardar algum dinheiro e gastar menos para o caso de acontecer algo pior."
George Kalogeropoulos, que tem 14 netos, diz que, à medida que recebem a sua pensão, distribuem-na durante a época da Páscoa.
Além da tradição do cordeiros, cabrito e outras carnes essenciais para a Páscoa,também os ovos vermelhos têm um lugar na mesa tradicional da Páscoa. Muitas pessoas apressam-se a comprá-los já pintados. Há quem pague em dinheiro, mas verifica-se um aumento gradual do número de pessoas que paga, mesmo pequenas quantias, com cartões de débito.
Ainda mais limitado do que nos anos anteriores é o tráfego nas lojas de presentes. A vela é um must para a Páscoa, mas as lojas que vendem algumas peças mais especiais veem os clientes a olhar mas não a comprar, como revela Rena Spyrilioti, proprietária de uma loja.
Tradicionalmente, o movimento também aumenta nestes dias nas lojas de confeitaria.
Os preços dos ovos de chocolate aumentaram em relação aos anos anteriores, acompanhando o aumento do preço do cacau a nível internacional. Com ou sem doces, mas necessariamente com borrego e ovos vermelhos, os gregos preparam-se para celebrar a Ressurreição, não se desviando das tradições que a Páscoa ortodoxa dita.