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Países Baixos podem não ter gás suficiente para um inverno rigoroso, alerta Gasunie

Arquivo – Aerogeradores vistos ao nascer do sol sobre o porto holandês de Eemshaven, no norte dos Países Baixos, segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Arquivo - Aerogeradores ao nascer do sol sobre o porto holandês de Eemshaven, no norte dos Países Baixos, segunda-feira, 21 de janeiro de 2019 Direitos de autor  AP Photo/Peter Dejong, File
Direitos de autor AP Photo/Peter Dejong, File
De Doloresz Katanich
Publicado a Últimas notícias
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Os Países Baixos vão falhar a meta de armazenamento de gás para o inverno, ficando mal preparados para um inverno rigoroso sem medidas adicionais, segundo a Gasunie.

A Gasunie alertou que as reservas de gás dos Países Baixos não irão atingir o nível considerado necessário para aguentar um inverno excecionalmente frio, porque as condições de mercado tornaram pouco rentável constituir reservas.

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“Com base nos desenvolvimentos mais recentes, os Países Baixos já não irão alcançar o objetivo de enchimento definido anteriormente para este inverno (115 TWh), o que corresponde a cerca de metade do consumo de gás do país”, afirmou a empresa em comunicado.

A meta nacional de 115 TWh é superior à exigência da UE, que fixa em 74% da capacidade de armazenamento o nível a atingir. O jornal NL Times noticiou que ambas as metas estão agora fora de alcance.

Os objetivos nacionais baseiam-se no volume mínimo de gás considerado necessário para suportar o inverno mais rigoroso dos últimos 30 anos. A Gasunie sublinhou que não cumprir essa meta não significa automaticamente que falte gás neste inverno ou que o abastecimento esteja em risco. No entanto, “sem medidas de política adicionais, os Países Baixos não estão suficientemente preparados para um cenário de um dos invernos mais rigorosos”, referiu a empresa.

Atualmente, os preços do gás para entrega no verão são superiores aos preços esperados para o inverno, o que torna pouco rentável para as empresas de energia comprar gás agora para o armazenar e vender na estação fria.

Os preços europeus do gás eram negociados perto de 64 euros por megawatt-hora (MWh) na quarta-feira, mais do dobro do valor registado no início do ano. As cotações dispararam nos últimos dias, impulsionadas pelos receios de que o estreito de Ormuz possa permanecer encerrado até ao inverno.

Na quarta-feira, contudo, notícias sobre progressos nas conversações no Médio Oriente aliviaram parte das preocupações quanto ao abastecimento. Ainda assim, subsistem riscos, já que o bloqueio do estreito de Ormuz continua a atrasar carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar.

Referindo-se ao contexto geopolítico, a empresa afirmou: “Estamos atualmente a avaliar de que forma podemos manter o abastecimento de gás tão robusto quanto possível nestas novas condições geopolíticas e de mercado e evitar pressões desnecessárias sobre o mercado do gás e, consequentemente, sobre os preços”.

O tempo quente acrescentou uma pressão adicional, com ondas de calor estivais recorde a fazerem subir a procura de eletricidade para ar condicionado, enquanto o calor e a seca reduziram a produção de centrais hidroelétricas e nucleares.

O calor intenso também aumentou a pressão sobre o mercado europeu de gás, ao elevar a procura de eletricidade para arrefecimento, enquanto a seca e as altas temperaturas limitaram a produção hidroelétrica e nuclear em alguns países. Isto pode aumentar o recurso a centrais elétricas a gás, deixando potencialmente menos gás disponível para armazenamento.

Quão cheias estão as reservas de gás neerlandesas?

As instalações de armazenamento neerlandesas estavam 44,26% cheias em 23 de agosto, face ao objetivo nacional de cerca de 80% até 1 de novembro. Era o nível de enchimento mais baixo entre os países da UE para os quais havia dados disponíveis nesse dia.

Um porta-voz do Ministério neerlandês do Clima e do Crescimento Verde disse à Euronews Business que, em toda a Europa, as empresas estão a encher as reservas de gás apenas de forma limitada, porque atualmente não é economicamente viável fazê-lo. “A Comissão Europeia aconselhou, por isso, anteriormente os Estados-Membros a reduzirem as metas de enchimento da UE, para evitar que os preços do gás sejam empurrados para cima de forma desnecessária”, afirmou.

O governo neerlandês autorizou a empresa pública Energie Beheer Nederland (EBN) a armazenar até 80 TWh de gás sempre que as empresas comerciais falhem as metas, um programa que, segundo o ministério, está a decorrer como previsto.

A Gasunie confirmou que a EBN está a cumprir o seu papel, mas considerou que o ritmo de enchimento das reservas continua demasiado lento. A empresa já tinha transmitido estas preocupações ao ministério.

A Gasunie indicou que continuará a acompanhar a evolução da situação e a manter o ministério informado, mas salientou que cabe ao governo decidir sobre eventuais apoios adicionais. “Em última análise, cabe ao ministro tomar decisões de política com base nos pareceres recebidos e na evolução em curso.”

Mesmo assim, o ministério afirmou não esperar uma escassez: “O governo está confiante de que haverá gás suficiente para o inverno e continua a acompanhar a situação de perto”.

Em setembro, o governo irá escrever à Câmara dos Representantes com uma atualização da situação e a sua avaliação de eventuais próximos passos.

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