Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, anunciou um “Dia D económico” contra o Irão, a maior ofensiva financeira já lançada, com mais detalhes previstos para segunda-feira.
Estados Unidos intensificam pressão económica sobre o Irão após o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarar o início de um “Dia D económico”.
Segundo Bessent, trata-se da “maior ofensiva financeira alguma vez mobilizada contra um adversário”. Expôs a posição numa publicação na rede X, tarde de domingo, e num artigo de opinião no Financial Times publicado no mesmo dia.
Bessent afirmou que a campanha militar do presidente dos EUA, Donald Trump, “desmantelou de forma significativa as capacidades militares do Irão e enfraqueceu o seu programa nuclear”. Acrescentou que a administração está agora a “entrar na fase final” e que as medidas económicas começam ao amanhecer.
O objetivo, segundo o secretário do Tesouro, é “cortar todas as linhas de vida económicas que sustentam o regime tirânico até Teerão ficar sozinha”.
Bessent advertiu os países que continuam a comprar ou transportar petróleo iraniano, a facilitar fluxos financeiros através de casas de câmbio e zonas francas, a gerir voos, a manter registos de navios ou a permitir transferências de combustível por mar, de que quaisquer ligações restantes irão acelerar o seu próprio isolamento.
As declarações surgem na sequência das palavras do presidente Donald Trump na semana passada. Na altura, Trump anunciou numa publicação na Truth Social “a operação económica mais esmagadora alguma vez lançada contra qualquer país!”.
Apesar de ambas as declarações, ainda não foram especificadas medidas concretas.
De acordo com o esboço apresentado por Bessent, o pacote poderá centrar-se em sanções secundárias contra países e entidades que continuem a comprar petróleo iraniano, a processar as suas finanças, a operar bancos relacionados ou a apoiar o transporte marítimo e outros canais comerciais, sobrepondo-se ao bloqueio naval já em vigor.
Bessent tem agendada para segunda-feira, às 19h CET, uma conferência de imprensa para anunciar as medidas concretas.
Mercados reagem
Os preços do petróleo recuam na manhã de segunda-feira, apesar da intensificação da retórica.
À hora de redação deste texto, o Brent, referência internacional, negoceia em cerca de 91,5 dólares, menos 2 % do que no fecho de sexta-feira, enquanto o West Texas Intermediate está em cerca de 86,2 dólares, cerca de menos 1,5 % face ao fecho da semana passada.
A queda poderá resultar de realização de lucros após os ganhos recentes e de relatos de uma subida temporária nos movimentos de petroleiros através do Estreito de Ormuz.
Segundo dados de navegação citados pelo Axios, cerca de 40 petroleiros cruzaram o canal sul na noite de sexta-feira, transportando aproximadamente 16 milhões de barris de petróleo, mais do que os 15 a 20 navios registados nas noites anteriores.
No conjunto, os volumes que passam por esta via marítima continuam muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito.
Por outro lado, os futuros norte-americanos também negoceiam em baixa antes da abertura do mercado, enquanto as ações europeias registam cotações estáveis.