Irlanda e Roménia figuram entre os países mais generosos da Europa, segundo um relatório recente que avalia a percentagem de doadores e a fatia do rendimento que oferecem
Quase seis em cada dez europeus doaram dinheiro para boas causas em 2025, seja ajudando diretamente pessoas em necessidade, contribuindo para instituições de caridade ou dando por motivos religiosos. É o que revela o World Giving Report da Charities Aid Foundation (CAF).
No seu mais recente relatório global, a CAF entrevistou 60 443 pessoas em 105 países entre 5 de janeiro e 18 de fevereiro de 2026 sobre as doações realizadas ao longo de 2025, com amostras nacionais representativas geralmente entre 250 e 1 000 adultos.
De acordo com as conclusões, entre os países europeus mais generosos contam-se a Irlanda e a Roménia. Olhando especificamente para as doações a instituições de caridade, Irlanda e Países Baixos registaram as maiores percentagens de pessoas a contribuir. A Roménia surge também entre os primeiros quando medida a proporção do rendimento doado, com contribuições a rondar os 0,4% do rendimento nos três países.
Segundo os dados da CAF, mais de dois terços das pessoas na Irlanda foram doadoras para instituições de caridade em 2025, ligeiramente acima da percentagem registada nos Países Baixos.
A Roménia apresenta um quadro bem diferente: apenas 27% contribuíram para instituições de caridade, mas as doações representaram, em média, 0,4% do rendimento.
Ao analisar o montante total doado, incluindo causas religiosas e apoio direto a pessoas em necessidade, o inquérito conclui que a Roménia sobe ao topo da tabela da UE, com doações a representar em média 0,9% do rendimento. Seguem-se a Croácia, com 0,8%, e a Irlanda, com 0,7%.
A proporção do rendimento destinada a doações é mais baixa na Letónia, enquanto as contribuições especificamente para instituições de caridade são menores na Hungria e na Eslováquia.
Nenhum país da UE entra no top 10 mundial de generosidade
Nas três maiores economias do bloco, Alemanha, França e Itália, as doações totais representaram apenas 0,4% do rendimento em 2025.
A Europa surge como o continente menos generoso quando as contribuições são medidas em proporção do rendimento, apesar de ser composta maioritariamente por economias de elevado rendimento. Em média, os europeus doaram 0,6% do rendimento, face a 1% a nível mundial.
Fora da UE, a Ucrânia destaca-se, com 61% das pessoas a doar dinheiro e contribuições que representam em média 1,2% do rendimento.
Segundo o relatório, existe uma relação estreita entre o montante doado num país e a intensidade do sentimento de pertença à comunidade local.
Nos países onde mais de 80% da população sente uma forte ligação à comunidade, o valor médio doado é três vezes superior ao dos países onde menos de metade das pessoas partilha esse sentimento.
Europa: a quem dão os cidadãos e que causas apoiam
Na Europa, a forma mais comum de contribuir foi através de instituições de caridade, opção escolhida por 38% das pessoas. Outros 26% doaram diretamente a pessoas em necessidade e 14% contribuíram para organizações religiosas ou por motivos religiosos.
A nível global, a forma mais frequente foi a ajuda direta, com 36% das pessoas a entregar dinheiro diretamente a quem precisa.
Mais de um quinto dos doadores, 22%, apoiou organizações de caridade que atuam em vários países. Também na Europa há preferência por entidades internacionais, sendo a Noruega e a Suécia os únicos países em que mais de metade dos doadores apoiou organizações com trabalho além-fronteiras.
Entre os europeus, a causa mais apoiada foi a das crianças e dos jovens, escolhida por 29% das pessoas que doaram.
Classificações globais
A diferença entre os países mais e menos generosos é significativa.
De acordo com o relatório, a Nigéria ocupa o primeiro lugar como país mais generoso do mundo, com doações que representam em média 2,8% do rendimento para instituições de caridade, causas religiosas ou apoio direto a pessoas em necessidade.
O contraste com a Europa é particularmente marcado: todos os dez países no topo da tabela mundial são economias de baixo ou rendimento médio-baixo, enquanto a Europa regista a menor média de doações em proporção do rendimento entre todos os continentes.
Oito dos dez países mais generosos situam-se em África e dois na Ásia. Nestes países, 80% das pessoas fizeram doações, face a uma média mundial de 61%, e contribuíram com, em média, 2,1% do seu rendimento, mais do dobro da média global de 1%.
Nesses países, quase metade do valor doado, 45%, foi entregue diretamente a pessoas e famílias em dificuldade.
No extremo oposto da escala está o Japão, onde as doações representam em média 0,2% do rendimento, a proporção mais baixa entre os 105 países analisados.
A distância económica entre os dois países é notável: o PIB nominal per capita do Japão é cerca de 28 vezes superior ao da Nigéria.
O Japão registou igualmente o nível mais baixo de confiança nas instituições de caridade entre os países estudados, com uma classificação média de cinco em dez. Em 2025, apenas 15% das pessoas no Japão fizeram doações especificamente a estas instituições.
O inquérito concluiu que duas em cada cinco pessoas que não doaram disseram que não tinham condições financeiras para o fazer. Com 39%, este foi de longe o motivo mais citado para não contribuir. O relatório mostra ainda que quem vive em países de elevado rendimento é quem mais afirma não poder dar, 44%, face a 37% nos restantes países.
A segunda razão mais frequente para não fazer doações foi a preferência por apoiar de outras formas, mencionada por 17%. Entre este grupo, a maioria afirmou ter oferecido bens, feito voluntariado ou participado em ações de angariação de fundos.