Greve dos argumentistas pode paralisar Hollywood

A última greve de argumentistas estendeu-se entre o final de 2007 e príncipio 2008
A última greve de argumentistas estendeu-se entre o final de 2007 e príncipio 2008 Direitos de autor ARQUIVO Reed Saxon/AP
De  Teresa Bizarro com AFP
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Negociações com os estúdios e plataformas de difusão terminaram sem acordo. Paralisação começou esta terça-feira

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A partir desta terça-feira, os programas de entretenimento na televisão dos Estados Unidos começam a perder conteúdos e, nalguns casos, a parar. Milhares de autores argumentistas de televisão e cinema entram em greve. Consequência de negociações falhadas com os principais estúdios e plataformas de difusão por melhores salários e contratos mais estáveis.

"Não chegámos a um acordo com os estúdios e as plataformas de difusão", declarou o Writers Guild of America (WGA) numa mensagem electrónica enviada aos associados justificando que as respostas dos estúdios às solicitações foram "totalmente inadequadas, tendo em conta a crise que os argumentistas enfrentam".

Os grandes estúdios e plataformas, incluindo a Disney e a Netflix, representados pela Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), anunciaram que as negociações com o sindicato "tinham terminado sem acordo".

É a primeira greve destes profissionais em 15 anos e pode provocar atrasos nas séries de televisão e filmes com estreia prevista para este ano.

No final de 2007, uma greve de 100 dias dos autores e argumentistas custou mais de 2 mil milhões de dólares ao setor.

O streaming quando nasce não é para todos

Os argumentistas exigem salários mais elevados, garantias mínimas de emprego estável e uma maior participação nos lucros gerados pelo crescimento do streaming. Os estúdios, por sua vez, dizem que têm de cortar custos devido às pressões económicas.

Os argumentistas dizem que estão a lutar para viver do seu trabalho, com os salários a estagnar ou mesmo a cair devido à inflação, enquanto os seus empregadores estão a obter lucros e a aumentar os salários dos seus executivos.

De acordo com o WGA, há mais argumentistas do que nunca a receber o salário mínimo estabelecido pelos sindicatos e as estações de televisão estão a contratar menos pessoas para escrever séries cada vez mais curtas. O sindicato acusa os estúdios de quererem criar uma "economia de biscate" em que a escrita de argumentos é "uma profissão liberal".

A AMPTP declarou que tinha apresentado uma "proposta global" que incluía um aumento do salário dos argumentistas, mas que não estava disposta a melhorar a oferta dada a dimensão das outras reivindicações.

De acordo com a declaração, a exigência do WGA que obrigaria os estúdios a contratar um determinado número de argumentistas "durante um determinado período de tempo, quer sejam necessários ou não", é um dos principais pontos de desacordo. 

Outro ponto de discórdia é a forma de calcular o salário dos argumentistas para as séries em streaming, que muitas vezes permanecem em plataformas como a Netflix durante anos após terem sido escritas.

Durante décadas, os argumentistas receberam "direitos residuais" pela reutilização das suas obras, por exemplo, são repostas na televisão ou vendidas em DVD.

Pressão por novas regras

Com o streaming, os autores recebem um montante fixo por ano, mesmo que a obra seja um êxito mundial, como as séries "Bridgerton" ou "Stranger Things", vistas por centenas de milhões de espectadores em todo o mundo.

O WGA pede a reavaliação destes montantes, dizendo que atualmente são "demasiado baixos tendo em conta a enorme reutilização internacional" destes programas. Pretende-se igualmente discutir o impacto futuro da inteligência artificial na profissão de argumentista.

Os estúdios sublinham que os "honorários residuais" pagos aos argumentistas atingiram um nível recorde de 494 milhões de dólares em 2021, contra 333 milhões de dólares dez anos antes, em grande parte graças à explosão dos empregos de argumentistas criados com o aumento do consumo de streaming.

Depois de terem sido perdulários nos últimos anos, quando as emissoras rivais procuravam aumentar o número de subscritores a todo o custo, os patrões dizem que estão agora sob intensa pressão dos investidores para reduzir as despesas e obter lucros.

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