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França: manuscrito inédito de Mozart tem estreia mundial

Um manuscrito até agora desconhecido de Wolfgang Amadeus Mozart foi descoberto em fevereiro na Biblioteca Nacional de França.
Descoberto em fevereiro na Biblioteca Nacional de França, um manuscrito até agora desconhecido de Wolfgang Amadeus Mozart. Direitos de autor  Élie Ludwig / BnF - Copyright 2009 AP. All rights reserved.
Direitos de autor Élie Ludwig / BnF - Copyright 2009 AP. All rights reserved.
De Sarah Miansoni
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A Biblioteca Nacional de França recuperou um manuscrito desconhecido do célebre compositor austríaco, revelando sete novas peças para flauta e harpa.

Depois de 31 anos como conservador na Biblioteca Nacional de França, o musicólogo François-Pierre Goy preparava-se, aos poucos, para a reforma. A 2 de fevereiro, enquanto consultava manuscritos num dos depósitos da instituição, encontrou por acaso um caderno desconhecido.

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Lá dentro, encontrou 44 páginas de partituras datadas de 1778. Goy, responsável pelas coleções anteriores a 1800 no Departamento de Música da biblioteca, julgou reconhecer a caligrafia e o estilo de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).

Sem ter a certeza da descoberta, pediu a opinião da colega Laurence Decobert, que anteriormente tinha comissariado uma exposição sobre a relação de Mozart com França.

Decobert confirmou a intuição e, em abril, Armin Brinzing, da Bibliotheca Mozartiana do Mozarteum de Salzburgo, autenticou definitivamente o documento.

Goy tinha acabado de pôr as mãos num manuscrito inédito do mestre austríaco.

“Esta é uma das descobertas mais importantes das últimas décadas”, declarou o presidente da Biblioteca Nacional de França, Gilles Pécout, num comunicado.

Durante meses, a descoberta foi mantida em segredo, mas, esta segunda-feira, a rádio France Musique transmitiu a estreia mundial de sete peças de Mozart para flauta e harpa, interpretadas pela flautista Mathilde Caldérini e pelo harpista Nicolas Tulliez, da Orquestra Filarmónica da Radio France.

“É uma honra excecional para qualquer formação musical devolver à vida uma obra esquecida de Mozart”, afirmou, num comunicado, a presidente da Radio France, Sibyle Veil.

“O facto de esta estreia mundial ter sido confiada à Orquestra Filarmónica da Radio France é uma prova da excelência dos seus músicos e do seu empenho na transmissão do nosso património musical”, acrescentou.

As peças agora descobertas, uma série de exercícios curtos e delicados, vêm enriquecer um repertório de Mozart relativamente escasso para estes dois instrumentos.

Oferecem também um olhar sobre a estadia do compositor em Paris. Com efeito, Mozart, então com 22 anos, permaneceu na capital francesa entre março e setembro de 1778. Nesse período, foi-lhe pedido que desse aulas de composição a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, harpista talentosa e filha de um diplomata.

O caderno agora recuperado testemunha esse trabalho de professor. Embora o pai estivesse convencido do seu génio, Mademoiselle de Guînes revelou-se uma fraca compositora e Mozart lamentou “a falta de invenção musical da sua aluna” numa carta dirigida ao próprio pai, recorda a Biblioteca Nacional.

Se as lições do mestre não resultaram em grandes sonatas, a dupla conseguiu ainda assim concluir seis exercícios de composição que, muito provavelmente, “partem de ideias apresentadas pelo próprio Mozart”.

As aulas foram suspensas quando Mademoiselle de Guînes casou, em julho de 1778, e a última peça ficou por terminar.

O manuscrito ficará à guarda da Biblioteca Nacional de França, que possui a terceira maior coleção de manuscritos musicais autógrafos de Mozart, depois de Salzburgo e Berlim. Entretanto, a música aguarda apenas para soar nas salas de concerto de todo o mundo.

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