Morreu a mítica cantora do duo francês Rita Mitsouko, vítima de um cancro fulminante
Uma voz, um visual, uma energia e uma liberdade que marcaram várias gerações. Catherine Ringer, cantora e cofundadora dos Rita Mitsouko, morreu aos 68 anos. Os filhos anunciaram a sua morte à agência France-Presse, precisando que tinha sido levada por “um cancro fulminante” na noite de 14 de setembro de 2026.
Nasceu em Suresnes em 1957. O pai, Sam Ringer, judeu ashquenazi nascido na Polónia, foi deportado para vários campos de concentração. Catherine Ringer contou a sua história em “C’était un homme”, do álbum Cool Frénésie.
Em 1979, conheceu Fred Chichin e desse encontro artístico e pessoal nasceu um dos duetos mais originais da música francesa. Os Rita Mitsouko impuseram rapidamente um universo muito próprio, misturando rock, pop, funk, eletrónica e chanson.
O sucesso chegou verdadeiramente a meio da década de 1980 com “Marcia Baïla”, tema que se tornaria emblemático da cena francesa. A banda acumulou depois vários êxitos, entre os quais “Andy”, “C’est comme ça” ou “Les Histoires d’A.”. A música, os vídeos e a estética singular fizeram dos Rita Mitsouko um fenómeno que ultrapassou largamente as fronteiras do rock.
Em novembro de 2007, a morte de Fred Chichin, também ele levado por um cancro, aos 53 anos, poderia ter posto fim à aventura. Catherine Ringer escolheu, pelo contrário, continuar a fazer viver o repertório do duo. Prosseguiu uma carreira a solo e voltou regularmente aos palcos com as canções dos Rita Mitsouko.
Ainda ativa em 2026, apresentou-se, nomeadamente, em Paris em fevereiro passado. Tencionava continuar a defender em palco a obra nascida da colaboração com Fred Chichin.
Com a sua morte, a música francesa perde uma figura única. Catherine Ringer permanece indissociável dos Rita Mitsouko, mas também de uma forma muito própria de subir ao palco: livre, provocadora, original e muito querida do público.