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Grécia: antigo deputado de extrema-direita anuncia regresso à política após sair da prisão

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foto de arquivo Direitos de autor  AP Photo/Thanassis Stavrakis
Direitos de autor AP Photo/Thanassis Stavrakis
De Ferenc Szekely
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Kassidiaris foi condenado a 13 anos de prisão como dirigente da organização criminosa ligada, durante anos, a ataques a migrantes e opositores e ao assassínio de Pavlos Fyssas em 2013.

Ficou em liberdade, esta terça-feira, o antigo porta-voz do partido de extrema-direita Aurora Dourada, Ilias Kasidiaris, que anunciou também o regresso à política: “Tinha-vos dado a minha palavra de que, mal passasse este portão, voltaria para a primeira linha das lutas nacionais. Vejo que não estou sozinho, mas comigo está um grande partido nacional, como os que dominam na Europa. O meu objetivo é que o país se livre do governo mais corrupto do período pós-ditadura. Vejo, nestes dias, todos os políticos a queixarem-se e a conspirarem, a dizer que não me vão permitir regressar ao Parlamento. Mas, na democracia, há apenas um juiz: o soberano povo grego”, afirmou.

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Kasidiaris foi condenado a 13 anos de prisão como dirigente de uma organização criminosa, associada durante anos a ataques contra migrantes e adversários políticos, bem como ao assassínio, em 2013, do músico antifascista Pavlos Fyssas.

Em frente à prisão de Domokos reuniram-se dezenas de apoiantes, alguns empunhando bandeiras gregas. A multidão gritava palavras de ordem em seu apoio, entre as quais “Ilias, estamos contigo”.

Kasidiaris foi eleito deputado pelo Aurora Dourada entre 2012 e 2019. Depois de condenado, em 2020, cumpriu seis anos de prisão, contando-se para a pena o período já passado detido. Antes disso, tinha passado cerca de um ano em prisão preventiva, a partir de 2014, antes de regressar novamente à prisão em 2020.

Apesar da detenção, não abandonou a atividade política. Continuou a intervir nas redes sociais, sobretudo através do seu canal no YouTube, que tem cerca de 162 mil subscritores.

Em julho voltou ao centro das atenções de Elon Musk, a quem chamou “a figura mais proeminente do mundo”. Em 17 de julho, o multimilionário comentou na plataforma X que a continuação da detenção de Kasidiaris era “confusa” ou “errada”, o que gerou novas reações em torno do caso.

Antes de ser preso, em outubro de 2020, Kasidiaris tinha criado um novo partido, os “Gregos”, e tentou, mesmo a partir da prisão, participar nas eleições legislativas de 2023. No entanto, o Supremo Tribunal grego proibiu a participação do seu partido nas eleições.

Kasidiaris tem estado repetidamente em destaque devido a episódios de violência. Foi fotografado com uma tatuagem de suástica no braço esquerdo e é conhecido por vários comportamentos agressivos.

Um episódio emblemático ocorreu em 2012, durante um programa de televisão, quando esbofeteou a deputada do KKE, Liana Kanelli, e atirou um copo de água a um deputado de um partido de esquerda. Foi também filmado a atacar verbal e fisicamente equipas de televisão. Numa conversa com apoiantes do Aurora Dourada, em novembro de 2012, afirmou que a entrada dos membros do partido no Parlamento lhes permitia “transportar legalmente armas com licença”.

Mantém-se a dúvida sobre se pode concorrer às eleições

A libertação ocorre numa altura em que a extrema-direita se reforça em vários países europeus. Na Alemanha, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) registou importantes sucessos eleitorais, incluindo uma vitória em eleições regionais, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Juristas sublinham, contudo, que a libertação não significa automaticamente que possa disputar cargos públicos. Segundo as estimativas, permanece excluído do processo eleitoral até 2033, quando termina formalmente o período desta específica inibição de direitos políticos. A decisão final sobre o direito de participar em eleições caberá ao Supremo Tribunal quando forem convocadas eleições, previstas, de acordo com o atual calendário político, para 2027.

O Aurora Dourada provocou um terramoto político na Grécia em 2012, ao conseguir entrar no Parlamento num clima de forte agitação social e económica, resultante da crise financeira, da perda de confiança nas instituições e da descredibilização dos partidos políticos tradicionais.

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