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A festa acabou: por que razão França quer controlar mais as " free parties"

Ministro do Interior francês, Laurent Nunez, visita um posto médico à margem de uma festa rave 'teknival' numa base militar, em Cornusse, França, 3 maio 2026
O ministro do Interior francês, Laurent Nunez, visita um posto médico à margem de uma festa rave 'teknival' numa base militar, em Cornusse, França, 3 de maio de 2026 Direitos de autor  Kenzo Tribouillard/Pool Photo via AP
Direitos de autor Kenzo Tribouillard/Pool Photo via AP
De Sarah Miansoni
Publicado a Últimas notícias
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Na segunda-feira, a Assembleia Nacional francesa vai começar a analisar uma nova proposta de lei do governo que visa reprimir ajuntamentos ao ar livre não autorizados, ou as chamadas "free parties".

Quando a festa entra em choque com a política... França procura apertar a legislação sobre ajuntamentos techno ao ar livre não autorizados, conhecidos como 'free parties'.

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Apenas um dia depois da Fête de la Musique, a festa anual da música no país, a Assembleia Nacional francesa começa a analisar uma nova proposta de lei contra perturbações da ordem pública.

O ministro do Interior Laurent Nuñez afirma que o projeto de lei 'Ripost' deve provocar um 'choque de autoridade' e dar 'respostas imediatas aos problemas que perturbam a ordem pública, a segurança e a paz' para os cidadãos franceses, uma medida bem-vinda para os deputados da direita.

O texto legislativo visa abordar um vasto leque de práticas, desde o consumo de gás do riso até à ocupação ilegal, mas a atenção tem-se centrado especialmente na secção que aborda as festas livres.

Nascido no Reino Unido no final da década de 1980, o movimento das "free parties" defende uma forma de festejar sem restrições e anticapitalista, que entretanto se espalhou por toda a Europa. A maioria destes encontros ao ar livre é autorregulada e não cobra entrada, ao contrário das raves. Esqueçam as discotecas exclusivas: basta um campo e um sistema de som a debitar música techno para haver festa.

O conceito não agrada a toda a gente. Em 2022, por iniciativa do novo governo da primeira-ministra de extrema-direita Giorgia Meloni, Itália passou a punir a organização de festas ao ar livre não autorizadas com penas de prisão até seis anos e uma multa de 10 000 euros.

Os defensores das "free parties" afirmam agora que o novo projeto de lei francês está a pôr em risco os valores do movimento.

No início de maio, entre 20 000 e 40 000 pessoas reuniram‑se perto de Bourges, no centro de França, para dançar num antigo complexo militar e contestar o plano do ministro do Interior para restringir as free parties.

Nos dias seguintes, o senado francês aprovou uma série de medidas incluídas no projeto de lei "Ripost". Ajuntamentos com mais de 250 pessoas passam agora a ter de ser comunicados às autoridades (antes o limite eram 500). Os senadores votaram para tornar a organização de free parties punível com dois anos de prisão e uma multa de 30 000 euros.

O senado introduziu ainda um novo e controverso crime dirigido aos participantes, que passam a arriscar até seis meses de prisão e uma multa de 7 500 euros por participarem numa free party.

A esquerda francesa denuncia um diploma repressivo. A deputada Mathilde Panot, dirigente do partido de esquerda La France Insoumisse, apelou ao governo para "deixar os jovens deste país em paz".

A Assembleia Nacional deverá decidir nas próximas semanas se mantém ou não as medidas aprovadas pelo Senado.

"A cena das free parties está sob ameaça", afirmou o coletivo de apoio ao movimento Tekno Anti Rep numa publicação no Facebook no início deste mês. "A nossa cultura pode ser controversa, mas acreditem, está muito longe de morrer".

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