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Turquia autoriza investigação: estará a Arca de Noé no país?

Formato do sítio de Durupınar lembra um navio.
Forma do sítio Durupınar faz lembrar um navio. Direitos de autor  Wikimedia Commons
Direitos de autor Wikimedia Commons
De Cagla Uren
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A história da Arca de Noé conta que, após o grande dilúvio, a embarcação "encalhou nas montanhas de Ararat". A principal razão pela qual a Formação de Durupınar desperta tanto interesse é o facto de, vista de longe, a sua forma se assemelhar a um grande navio.

Na Formação Durupınar, situada na região montanhosa do leste da Turquia e que há muitos anos é apontada como possível local dos restos da Arca de Noé, arranca uma nova fase de investigação.

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Uma equipa amadora que trabalha na zona anunciou ter obtido das autoridades turcas as autorizações necessárias para realizar o estudo científico mais abrangente feito ali até hoje.

Os investigadores tencionam recorrer a sistemas de imagem avançados, tecnologias de deteção remota, sondagens não destrutivas e a um robô especial capaz de mapear o subsolo para perceber o que existe por baixo da formação. A equipa espera, no fim dos trabalhos, responder à pergunta sobre se a Formação Durupınar terá sido ou não o derradeiro ancoradouro da Arca de Noé.

Mistério com quase um século

A Formação Durupınar fica cerca de 30 quilómetros a sul do monte Ararate, a montanha mais alta da Turquia.

A descoberta da zona pelo mundo moderno é relativamente recente. Segundo relatos locais, fortes chuvas e sismos ocorridos em 1948 terão erodido a camada de lama envolvente e revelado uma formação de contornos invulgares, semelhante a um navio.

Desde então discute‑se se se trata de uma estrutura geológica natural ou dos vestígios de uma construção humana.

Estrutura em forma de navio suscita interesse

O relato da Arca de Noé refere que, após o grande dilúvio, o navio encalhou nos “montes de Ararat”.

O principal motivo de interesse da Formação Durupınar é o facto de, vista à distância, se assemelhar a um grande navio. Além disso, investigadores amadores sustentam que as dimensões da estrutura apresentam semelhanças notáveis com as medidas da embarcação descritas nos textos sagrados.

De acordo com as medidas referidas na Bíblia, a Arca de Noé teria 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. Convertidos para unidades atuais, estes valores correspondem a cerca de 157 metros de comprimento, 26 metros de largura e 16 metros de altura.

Os investigadores afirmam que as dimensões da Formação Durupınar são próximas destes valores.

Radares revelam alegados “vazios”

O grupo de investigação "Noah's Ark Scans", que trabalha na região, tem vindo a estudar a formação desde 2019, recorrendo a vários métodos geofísicos.

A equipa afirmou anteriormente ter realizado prospeções até cerca de seis metros abaixo da superfície, utilizando radar de solo, e ter detetado algumas estruturas que não seriam de esperar em formações rochosas naturais.

Segundo os investigadores, nas imagens de radar são visíveis estruturas angulares, secções semelhantes a túneis e amplas cavidades.

Andrew Jones, uma das figuras de destaque do grupo, afirmou ter identificado nas investigações uma cavidade que começa a cerca de quatro metros abaixo da superfície e se estende por mais de 12 metros.

De acordo com Jones, em declarações ao Daily Mail, esta cavidade poderá estar ligada a uma grande sala situada a uma profundidade maior.

Análises de solo alimentam debate

Segundo Jones, foram ainda detetadas diferenças químicas marcadas entre o solo do interior da formação e o solo circundante.

Foi indicado que o solo na parte interior apresenta um valor de pH mais baixo e contém mais matéria orgânica e potássio. Os investigadores sugerem que isto poderá resultar de restos de madeira apodrecida.

Na sua perspetiva, a decomposição de um antigo navio de madeira poderia, ao longo do tempo, alterar as características químicas do solo envolvente.

Estas interpretações, porém, ainda não foram confirmadas por investigadores independentes.

Comunidade científica mantém ceticismo

Apesar de a formação rochosa de Durupınar ser alvo de discussão há décadas, a opinião geralmente aceite na comunidade científica é a de que se formou por processos geológicos naturais.

Muitos geólogos defendem que a forma observada na zona pode ser explicada pela erosão e pelos processos de deposição sedimentar.

Até ao momento, nenhum dos estudos realizados apresentou provas conclusivas e diretas da existência da Arca de Noé.

Além disso, os dados de radar e as análises do solo apresentados pela equipa amadora ainda não foram avaliados em pormenor por círculos científicos independentes.

Por conseguinte, os especialistas salientam que o grupo não apresentou, até ao momento, evidências robustas.

Nova fase de investigação: o que está previsto

De acordo com o plano apresentado pela equipa, o novo estudo será a análise mais extensa já realizada na área.

Além de tecnologias avançadas de imagem que permitem estudar o local sem escavações, os investigadores planeiam utilizar um robô especial, chamado “Gopher”, para mapear cavidades subterrâneas.

Serão igualmente recolhidas, de forma limitada, amostras de carote para obter mais dados sobre a estrutura interna da formação.

Espera‑se que os primeiros resultados sejam divulgados gradualmente à medida que os dados forem analisados.

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