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Rapper português preso na Alemanha por tráfico de droga deportado para Portugal

Rapper português 18 Karat
Rapper português 18 Karat Direitos de autor  18karat/Instagram
Direitos de autor 18karat/Instagram
De João Azevedo
Publicado a Últimas notícias
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Ivo Vieira Silva, conhecido artisticamente como 18 Karat, foi deportado na madrugada de quarta-feira. Condenado a seis anos e três meses de prisão em dezembro de 2022, ficará em liberdade em Portugal. Mas se voltar a solo alemão, será de imediato detido e terá de cumprir o que resta da pena.

O rapper português 18 Karat foi deportado de avião da Alemanha para Portugal, país de origem, na madrugada de quarta-feira, e a família já foi notificada do paradeiro.

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"Ele conseguiu entrar em contacto com a sua família esta manhã [quarta-feira] e informá-los sobre a hora e o local da sua chegada", afirmou Lisa Grüter, advogada do músico, citada pelo jornal alemão Die Zeit. A deportação foi confirmada à agência noticiosa alemã dpa pelas autoridades da cidade de Dortmund, para onde o rapper de 40 anos se mudou, ainda jovem, com a família.

O artista foi retirado da Alemanha sem o telemóvel e só teve autorização para contactar os familiares após o desembarque em Portugal.

A Euronews contactou, já na quarta-feira, a Polícia de Segurança Pública (PSP), responsável pelo controlo das fronteiras aeroportuárias em Portugal, para confirmar detalhes da operação, mas não obteve respostas às perguntas colocadas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) explicou que, na Alemanha, o apoio foi dado pelo Consulado-Geral em Düsseldorf.

"O MNE tomou conhecimento da expulsão deste cidadão nacional através do Consulado-Geral de Portugal em Düsseldorf, que assegurou a articulação com as autoridades locais para, nos termos do Regulamento Consular, prestar o apoio consular mais adequado à situação, tendo sido necessária a emissão de um documento de viagem (European Travel Document), para garantir o seu regresso a território nacional", avançou o gabinete do ministro Paulo Rangel em nota enviada à Euronews.

Ivo Vieira Silva, nome civil do artista, cumpria desde 2022 uma pena de seis anos e três meses de prisão por vários crimes graves relacionados com tráfico de drogas. A cidade de Dortmund já tinha dado a conhecer, em agosto de 2025, a intenção de apresentar um pedido de deportação e a justiça alemã acabou mesmo por ordenar a expulsão direta.

O rapper tinha cumprido cerca de quatro anos da pena**,** tendo em conta operíodo passado em prisão preventiva desde a sua detenção em junho de 2022. Depois de cancelada uma saída que estava programada, o português foi transferido para uma outra ala da prisão, um sinal de que a deportação estava prestes a ser concretizada.

De acordo com a advogada, o músico encontrava-se detido em regime semiaberto e estaria quase a completar uma formação como pintor e envernizador. Dentro de poucas semanas, a justiça alemã deveria avaliar formalmente a suspensão do resto da pena e a passagem para um regime de liberdade condicional sob fiança.

"Na minha opinião, essa decisão deveria ter sido priorizada", declarou a advogada, citada pelo Die Zeit, considerando a deportação imediata uma "vergonha para o Estado de Direito". A expulsão da Alemanha significa uma proibição de reentrada muito mais longa.

Em Portugal, o artista ficará em liberdade, mas com a deportação a sua pena não se esgota. Se voltar a entrar em solo alemão, será de imediato detido para cumprir o tempo de reclusão em falta (dois anos).

"Razões imperiosas de ordem pública"

Ivo Vieira Silva apresentou um recurso contra a deportação determinada pelas autoridades de Dortmund, que também lhe retiraram o direito de livre circulação na União Europeia.

Em tribunal, argumentou que mantinha contacto com a família e com a sua filha pequena, Amalia, acrescentando que tem uma companheira alemã e que ambos esperam em breve um segundo filho.

O rapper aduziu que este contexto, aliado ao facto de estar preso, demonstrava que ele não voltaria a envolver-se em crimes e que, portanto, não constituía qualquer perigo.

No entanto, o Tribunal Administrativo de Gelsenkirchen não ficou convencido e rejeitou o pedido. Os juízes alegaram "razões imperiosas de ordem pública", referindo que o tráfico de drogas tem consequências graves para a sociedade. Durante uma operação policial que visou o português, foram encontrados quase doze quilos de canábis, pequenas quantidades de ecstasy e haxixe, além de duas plantações artesanais.

Foi ainda apontado um risco concreto de reincidência, com os magistrados a sustentarem que o rapper não deu provas de ter rompido com a rede na qual cometera os crimes.

A decisão de primeira instância foi confirmada na terça-feira, numa audiência de urgência, pelo Tribunal Administrativo Superior da Renânia do Norte-Vestefália.

Figura de proa do rap alemão

Ivo Vieira Silva despontou no panorama do rap alemão em 2015 com o álbum de estreia "FSK 18 Brutal". Várias das suas músicas acumularam entre 10 a 30 milhões de reproduções no Spotify.

Conhecido por usar uma máscara dourada, o rapper conseguiu proteger a identidade durante uma década, apesar de se ter tornado uma figura com enorme notoriedade graças à parceria com a editora Banger Musik.

Em 2025, decidiu revelar o seu nome e nacionalidade. Originário de Portugal, país que emitiu o seu passaporte, terá muito provavelmente raízes bósnias, indica o portal alemão Raptastisch, dedicado a notícias sobre celebridades do mundo do rap.

Foi também no ano passado que se tornou pai pela primeira vez enquanto cumpria a pena. Teve permissão para sair do estabelecimento prisional, onde se tinha casado com a companheira alemã, Maya, para assistir ao parto da filha, Amalia Adriana. O nascimento do segundo rebento, concebido durante uma outra saída da prisão, está previsto para setembro de 2026.

A mulher de 18 Karat já tinha feito saber que era intenção do casal mudar-se para Portugal após a libertação do artista, garantindo que o marido "podia fazer música em qualquer ponto do mundo".

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