Cinco dias, centenas de eventos, milhares de interações e uma comunidade que há 19 anos prova que a cultura aproxima as pessoas.
Nunca o Festival Ördögkatlan decorreu com tanto calor. Durante o dia parece mesmo um autêntico caldeirão. Mas nem o calor acima dos 40 graus afasta os participantes mais decididos de assistir aos eventos que decorrem em vários locais do sul da Barânia.
“Temos imensos espaços onde praticamente não usamos energia: conversas, iniciativas nas igrejas, concertos acústicos”, sublinha Mónica Kiss, dramaturga e uma das fundadoras do festival.
“E depois há aqui vários milhares de visitantes que estão a acampar. Não estão sentados em casa, num quarto com ar condicionado, a usar a máquina de lavar, o secador de cabelo, o computador. Mas sim aqui, nestes eventos e, assim, de certa forma, poupam energia”, acrescenta.
Quem vem ao festival enfrenta o calor com estratégias bem conhecidas:
“Cabelo molhado, leque, guarda-chuva, muito protetor solar”, enumera uma jovem.
“Não dá mesmo para ser de outra maneira. Há muita gente que só aparece à noite, não durante o dia. É perfeitamente compreensível. Todo o meu respeito para os artistas que atuam debaixo do sol escaldante”, acrescenta uma amiga.
“Isto é um festival muito familiar, as pessoas aqui são muito unidas e, na minha opinião, não se encontra tanta diversidade de áreas artísticas noutro festival fora das grandes cidades, só aqui”, explica outra participante.
Este encontro multidisciplinar, em que estão representadas todas as gerações, volta a colocar no centro a liberdade, a humanidade, a diversidade e a aceitação.
“Tudo isto existe para que esta comunidade possa viver durante cinco dias o que descrevemos como ‘uma outra Hungria’. E esperamos que esta outra Hungria possa existir para nós 365 dias por ano. É uma ideia ingénua, mas cheia de esperança, da minha parte”, resume Bérczes László, encenador, dramaturgo, escritor e também fundador do Ördögkatlan.
Os criadores do festival garantem que vão continuar a organizá-lo enquanto a liberdade, o amor e a humanidade forem sentidos nestes poucos dias. Dizem perceber que a procura por este tipo de experiências é cada vez maior.
A décima nona edição do Festival Ördögkatlan recebe os amantes da cultura até 8 de agosto em cinco locais diferentes: Beremend, Kisharsány, Nagyharsány, Parque de Esculturas e a quinta Vylyan.
A primeira edição do festival teve lugar em 2008, com os nomes de László Bérczes e Mónica Kiss a ficarem para sempre ligados a este projeto. Os patronos vitalícios do Katlan são a lendária atriz já desaparecida Mari Törőcsik e o cantor e compositor Tamás Cseh.
De Mari Törőcsik vem a frase que se tornou o lema do festival e que todos gritam em uníssono, ano após ano, nos minutos iniciais da abertura: “Nem vagyunk normálisak!”, ou seja, "Não somos normais!"