90% das espécies de microorganismos marinhos ainda não foram estudadas.
É possível usar microrganismos marinhos para melhorar a nossa saúde sem prejudicar a saúde do mar? A euronews falou com o professor Vítor Vasconcelos, director do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto, em Portugal.
“O oceano pode ser uma das soluções para melhorar a nossa saúde. Antes de mais, é preciso saber que o oceano fornece cerca de metade do oxigénio do nosso planeta. Ao mesmo tempo, há muitos organismos que podem ser explorados para fornecer novas soluções para a nossa saúde. Podemos imaginar, por exemplo, o uso de cianobactérias ou de microalgas, que são organismos que existem no oceano há mais de 3,5 mil milhões de anos. Eles resistiram a ambientes diferentes e por isso produziram a maquinaria necessária para ter moléculas que hoje podem ser usadas no tratamento do cancro, da malária, da obesidade ou de outras doenças que influenciam o nosso planeta", explicou o investigador português.
A exploração sustentável do oceano
Para Vítor Vasconcelos, é necessário estudar o mundo marinho e tirar partido do potencial dos oceanos de forma sustentável.
"O oceano não é apenas vasto, está subexplorado. Provavelmente, passamos mais tempo a estudar o espaço do que o próprio oceano, e o oceano está perto de nós. Temos de o explorar de uma forma sustentável. Já explorámos o oceano de uma forma muito rápida através da pesca, mas agora, por exemplo, podemos estudar os microrganismos, de uma forma sustentável. Podemos isolá-los e, depois, cultivá-los em laboratório de forma a podermos produzir essas moléculas. Penso que mais de 90% das espécies de microrganismos ainda não foram estudadas. É isso que estamos a fazer", acrescentou o diretor do CIIMAR.