A depressão entrou em território continental, a sul de Lisboa, com efeitos de chuvas fortes e rajadas de vento acima de 70 km/h, e dirige-se para o norte, onde se espera chuva e vento forte.
A tempestade Marta já chegou a Portugal, tendo entrado em território continental pela zona sul de Lisboa, neste sábado entre as 4:00 e as 6:00 da manhã. O período crítico aguardado mantém-se até às 13:00, começando a abrandar a partir das 15:00.
Treze distritos de Portugal continental vão estar sob aviso laranja — o segundo mais grave — devido à agitação marítima, precipitação, ventos fortes e neve.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os distritos de Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Beja, Portalegre, Évora e Castelo Branco estão sob aviso laranja de precipitação até às 15:00 deste sábado.
O mesmo nível de alerta estará em vigor, a partir das 06:00 e até às 15:00, nos distritos de Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, devido ao "vento forte de sudoeste com rajadas de até 100 km/h, podendo atingir 120 km/h nas serras".
O IPMA alertou ainda para a acumulação de neve e para a possível formação de gelo. Os distritos de Braga, Castelo Branco, Viana do Castelo, Vila Real e Guarda estão sob aviso laranja de queda de neve.
Após as 15:00 e até ao final da tarde, espera-se uma melhoria no estado do tempo, mas teme-se mais inundações.
Risco de inundações e derrocadas
Mais de 26.500 socorristas estão em estado de prontidão em Portugal, segundo adiantou o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre,numa comunicação ao fim do dia de sexta-feira.
Depois das enchentes dos últimos dias, que o "comboio de depressões" causou em Portugal (e na Península Ibérica), centenas de estradas ficaram bloqueadas, o tráfego ferroviário foi interrompido e milhares de pessoas foram forçadas a evacuar devido ao aumento do nível das águas. O mau tempo levou três municípios a adiar a votação presidencial de domingo, 8 de fevereiro, para a próxima semana.
Partes de Alcácer do Sal ficaram submersas após a subida do rio Sado, obrigando os residentes a abandonar a cidade, situada a 90 quilómetros (cerca de 56 milhas) a sul de Lisboa.
O comandante da ANEPC, Mário Silvestre, alertou para o movimento de terras devido à saturação por excesso de água.
"Os movimentos de massa, ou seja, as derrocadas, são, neste momento, um risco extremamente significativo. É preciso ter cuidado, por exemplo, com estacionamentos junto a muros que sirvam de parede, barreiras e zonas de algum declive. A pressão da água contra esses muros é extremamente elevada", advertiu.
Seis rios mantêm-se sob vigilância das autoridades devido ao elevado risco de cheias, rio Sado, rio Tejo, rio Mondego, rio Sorraia, rio Vouga e o rio Águeda
Mário Silvestre alertou que a previsão era "extremamente preocupante" e apelou à população para estarem atentas "à queda de árvores e de infraestruturas, a evitar deslocações desnecessárias e a não estacionar debaixo de árvores ou perto de muros".
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que visitou as regiões afetadas na sexta-feira, alertou que os danos ultrapassaram os 4,7 mil milhões de euros, segundo um balanço ainda provisório.
Portugal já estava a sofrer os efeitos da tempestade Kristin, que causou a morte de cinco pessoas, feriu centenas e deixou dezenas de milhares sem energia elétrica, quando Leonardo atingiu o país no início desta semana, a seguir da depressão Marta, neste sábado. O governo prolongou a situação de calamidade até dia 15.
Os cientistas afirmam que as alterações climáticas provocadas pelo homem estão a aumentar a duração, a intensidade e a frequência de fenómenos meteorológicos extremos, como as inundações e as ondas de calor que atingiram ambos os países nos últimos anos.
*em atualização