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Hantavírus: Macron apela a uma "verdadeira coordenação europeia"

Emmanuel Macron está de visita ao Quénia.
Emmanuel Macron está de visita ao Quénia. Direitos de autor  AP Photo/Brian Inganga
Direitos de autor AP Photo/Brian Inganga
De Alexander Kazakevich & Christina Molle com AFP
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O presidente francês disse que o governo tomou “as decisões certas” e que a situação sanitária está “sob controlo”, apelando ainda aos países da UE para adotarem protocolos mais rigorosos.

Emmanuel Macron disse numa conferência de imprensa em Nairobi que a situação do hantavírus estava "sob controlo",apesar da única mulher francesa infetada ainda estar nos cuidados intensivos "em estado grave" e de terem sido identificados cerca de vinte casos de contacto em França.

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O presidente francês afirmou que o governo tinha "tomado as decisões corretas" e que a crise estava "sob controlo", "graças aos nossos profissionais de saúde".

De acordo com o chefe de Estado francês, Paris estabeleceu um protocolo com Madrid, com base nas recomendações de peritos, "o que é bom, porque temos a experiência do passado".

Emmanuel Macron apelou a uma forte coordenação a nível da UE e com a Organização Mundial de Saúde.

Não há "circulação difusa" em França

"Foicom estas palavras que a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, abriu uma conferência de imprensa sobre a crise do hantavírus.

Acompanhada por vários especialistas, a ministra salientou que não havia _"_circulação difusa (...) no território nacional"da estirpe andina do hantavírus, transmissível entre humanos e contra a qual não existe vacina nem tratamento.

"Nesta fase, os casos positivos identificados são exclusivamente de passageiros de cruzeiros", acrescentou Stéphanie Rist.

A ministra salientou que a paciente francesa, que testou positivo para o vírus há alguns dias, "tem agora a forma mais grave de apresentação cardiopulmonar e está a receber circulação extracorporal para oxigenação artificial e um pulmão artificial".

"Esperamos que ela consiga ultrapassar esta fase, enquanto o pulmão atacado pelo vírus e as lesões na parede vascular recuperam", acrescentou Xavier Lescure, especialista em doenças infecciosas do Hospital Bichat.

Vinte e dois casos de contacto foram identificados em França: todos foram contactados, testados, hospitalizados ou estão "em vias" de o ser, segundo o Governo. O ministério da Saúde indicou também que estes doentes eram de todas as idades, incluindo crianças, e que estavam todos "muito bem".

Os doentes foram hospitalizados principalmente no hospital Pitié-Salpêtrière, mas também no hospital universitário de Rennes e no hospital universitário de Marselha.

Doente está em estado grave

Caroline Semaille, diretora-geral da Santé publique France, descreveu em pormenor as caraterísticas do hantavírus andino, descoberto na Argentina em 1995. Segundo esta, o período de incubação é longo, de 9 a 40 dias, com uma elevada taxa de letalidade, e a transmissão pode ocorrer até 48 horas antes do aparecimento dos sintomas, através do contacto próximo entre indivíduos.

A especialista explicou que, na sequência do alerta emitido pelos Países Baixos a 2 de maio, o primeiro caso foi confirmado a 4 de maio e que "até à data foram confirmados 11 casos".

A infeção pelo hantavírus andino "ocorre mais frequentemente por via zoonótica, do animal para o homem", sublinhou Xavier Lescure. "Não sabemos como e através de que meios se transmite de humano para humano", o que é "pouco frequente e pouco eficaz", mas é "provavelmente por via respiratória ou por contacto direto".

Uma vez declarados os sintomas, os sinais clínicos são "bastante inócuos",como "grande cansaço, ligeira depressão, dores e cefaleias", explicou o infeciologista Xavier Lescure. Ao fim de "dois ou três dias", as pessoas infetadas com o hantavírus andino desenvolvem _"_uma febre intensa, quase constante" e depois "lesões pulmonares"."Tal como o período de incubação é longo, a expressão da doença pode ser muito rápida", acrescentou.

"Ainda não conhecemos os fatores de risco da doença", explicou o médico, apesar das suas formas serem frequentemente graves. "Trata-se de um dos hantavírus mais letais, com uma taxa de mortalidade de 35 a 40%", acrescentou, apesar de não existir tratamento nem vacina eficazes, acrescentando que "o uso de uma máscara, nomeadamente a FFP2, e a lavagem das mãos são suficientes para atuar como barreira" contra o hantavírus andino.

O virologista Olivier Schwartz salientou que não existe uma vacina disponível, embora estejam atualmente a ser testadas injeções de ARN.

"A situação é bastante excecional e sem precedentes", acrescentou o epidemiologista Antoine Flahault, "razão pela qual as autoridades sanitárias estão a tomar decisões muito firmes_"_ perante a incerteza que rodeia este vírus.

No passado, certos vírus propagaram-se a partir de locais muito remotos onde existem poucas infraestruturas de vigilância sanitária, em vez de se propagarem a partir de um "navio com 147 pessoas", onde é possível identificar todos os casos positivos e rastrear os casos de contacto. O epidemiologista descreveu o hantavírus andino como uma "doença tropical negligenciada".

Editor de vídeo • Jean-Philippe Liabot

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