EventsEventosPodcasts
Loader
Encontra-nos
PUBLICIDADE

Petição belga pede retirada de estátuas de Leopoldo II

Petição belga pede retirada de estátuas de Leopoldo II
Direitos de autor euronews
Direitos de autor euronews
De  Euronews
Publicado a
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Iniciativa recorda atrocidades cometidas durante o domínio colonial no Congo.

PUBLICIDADE

Do alto do pedestal, as estátuas do rei Leopoldo II impõem-se em vários pontos da Bélgica. Só que está a ganhar força uma petição online que pede a retirada de todas estas representações de um monarca visto como o responsável pelo genocídio de mais de 10 milhões de pessoas na antiga colónia do Congo belga.

Mireille-Tsheusi Robert, da associação antirracista Bamko, salienta que "para a maioria dos belgas, Leopoldo ainda é conhecido como o 'rei que construiu o país'. Mas a Bélgica foi construída, em grande medida, com dinheiro roubado ao povo do Congo".

Organizações como a Bamko exigem também o pagamento de compensações financeiras à atual República Democrática do Congo pelas consequências de um domínio colonial que se estendeu até 1960. Para a história ficaram relatos de castigos cruéis, impostos pelas tropas de Leopoldo II à população local, que passavam frequentemente pela amputação de mãos.

A Bélgica foi construída, em grande medida, com dinheiro roubado ao povo do Congo
Mireille-Tsheusi Robert
Bamko

Na cidade de Gent, foram inscritas num busto do rei as últimas palavras de George Floyd: "I can´t breathe" ("Não consigo respirar"). Há também ruas, paragens de transportes com o nome Leopoldo II - as referências são constantes.

Os nacionalistas flamengos, de extrema-direita, assumem o discurso de Wouter Vermeersch, do partido Vlaams Belang: "Isto faz parte da história da Bélgica. Há uma tendência antimonárquica, mas o povo não quer derrubar estátuas, mudar nomes de ruas, nem apagar a história ou o património cultural".

Em junho de 2018, uma praça em Bruxelas foi batizada com o nome do pai da independência congolesa, Patrice Lumumba.

O antigo Museu Real da África Central, que chegou a acolher uma espécie de zoo humano, reabriu portas em 2019 com o nome Museu África.

O jornalista Jack Parrock refere que "a petição para retirar as estátuas do rei Leopoldo II e para compensar a República Democrática do Congo ganhou mais incentivos com os protestos do movimento 'Black Lives Matter' nos Estados Unidos. Mas, na Bélgica, não se pede apenas um ajuste de contas com o passado: pede-se que o país olhe para o racismo institucional que existe no presente. Há já várias manifestações previstas para as próximas semanas".

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Londres protege estátuas contra atos de vandalismo

Racistas e esclavagistas sem pedestal público

Belgas recordam passado colonial em protesto contra racismo