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Pandemia de Covid-19 alterou tendências no narcotráfico

Pandemia de Covid-19 alterou tendências no narcotráfico
Direitos de autor Christophe Ena/ASSOCIATED PRESS
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De  Isabel Marques da SilvaJoanna Gill
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A pandemia de Covid1-9 vai continuar a ter impactos nestas tendências nos próximos meses, com mais pessoas a entrarem em atividades ilegais, segundo o diretor do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Alexis Goosdeel.

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O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), divulgou, terça-feira, o relatório de 2020, que mostra como confinamento por causa da pandemia de Covid-19 teve impactos tanto na frente do narcotráfico como na tipologia de consumos e no acesso ao tratamento:

  • uma redução no acesso aos serviços físicos de tratamento, mas um aumento nas consultas por via eletrónica

  • nas drogas usadas em contexto de festas, houve uma diminuição no consumo de cocaína e ecstasy, mas um aumento do consumo de cannabis e benzodiazepinas

  • aumentou o tráfico de drogas online

O relatório refere, ainda, que foi registado um recorde de apreensão de cocaína na Europa : 181 toneladas, das quais 78% foi interceptado em apenas três Estados-membros da União: Bélgica, Espanha e Países Baixos.

Crime organizado usa droga para financiar outros crimes

Os carregamentos de droga são muitas vezes interceptados nos portos, denotando uma importante infiltração dos grupos de crime organizado nas rotas marítimas comerciais.

"Onde há drogas, muitas vezes também há armas, crimes violentos e homicídios. Onde há crimes ligados às drogas, também há crime organizado", disse  Ylva Johansson, comissária europeia dos Assuntos Internos, em declarações à imprensa, em Bruxelas.

"Cinco mil grupos de crime organizado estão ativos na Europa. Mais de um terço estão envolvidos no tráfico de drogas, e esse tráfico financia outras áreas do crime organizado com 30 mil milhões de euros por ano. O comércio ilegal de drogas é o mais importante mercado criminoso na União Europeia", acrescentou.

A pandemia de Covid1-9 vai continuar a ter impactos nestas tendências, segundo o diretor do OEDT, Alexis Goosdeel: “Devemos estar atentos ao que vai acontecer nos próximos meses. Todos esperamos uma recessão económica muito grave, que poderá aumentar a vulnerabilidade de alguns grupos da população que já são muito vulneráveis". 

"Os riscos aumentam numa situação difícil como esta, no sentido de poder levar mais pessoas a entrarem em atividades ligadas às drogas, seja direta ou indiretamente", alertou ainda.

Em termos de overdoses fatais, o relatório cita dados relativos ao ano de 2018: pelo menos 8300 pessoas morreram na União Europeia por exagerado consumo de drogas ilícitas, principalmente opióides.

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