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Como é que as eleições legislativas são percebidas na União Europeia?

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De  Pedro Sacadura
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A votação deste domingo é acompanhada à distância por portugueses que se encontram fora do país
A votação deste domingo é acompanhada à distância por portugueses que se encontram fora do país   -   Direitos de autor  Paulo Duarte/AP

Como é que as eleições legislativas portuguesas do próximo domingo são percebidas na União Europeia?

Em Bruxelas, a Euronews esteve à conversa com Ricardo Borges de Castro. A viver há uma década na capital belga, o português mantém uma ligação próxima com o país natal. Contou que mesmo à distância faz questão de acompanhar, a par e passo, os desenvolvimentos destas eleições, por curiosidade e por motivos profissionais.

"O risco que eu acho que nós corremos todos é que fique [tudo] relativamente na mesma, ou seja, sem um governo estável. Acho também que, por outro lado, Portugal acompanha aquilo que tem sido a tendência em vários países europeus, que é de uma maior fragmentação política e, portanto, a necessidade de haver governos de coligação", acrescentou.

As eleições legislativas vão ditar que será o futuro primeiro-ministro de Portugal.

António Costa e Rui Rio medem forças. O socialista parte à conquista da reeleição, mas no encalço tem o rival social-democrata. Os dois deverão precisar de se apoiar em outras forças políticas.

Para estas eleições, Ricardo votou antecipadamente, na embaixada de Portugal em Bruxelas.

A trabalhar para o think tank European Policy Centre, não acredita que o desfecho eleitoral provoque muita turbulência na União Europeia, apesar de haver muitas opções em aberto.

"O interesse em Bruxelas sobre Portugal é quase o mesmo interesse que tem havido em Portugal no debate das eleições sobre Bruxelas, o que é muito pouco. (...) Os dois partidos principais serão, de acordo com as sondagens, o PSD e o PS. Penso que nestas questões pode haver questões de nuance, de como é que as coisas se fazem, mas do ponto de vista dos objetivos de participação no projeto europeu não há diferenças. Por isso, penso que e a União Europeia pode estar descansada que não vem daqui um problema."

Que importância para os Estados-membros?

Entre alguns Estados-membros individuais estas eleições também não parecem causar muita agitação.

Katrin Pribyl e Yannis Palaiologos são correspondentes europeus em Bruxelas. Dizem que por estes dias há outros assuntos que têm exigido uma atenção redobrada da imprensa e que, por esse motivo, as eleições portuguesas acabaram por ser relegadas para segundo plano.

"As eleições em Portugal não têm uma grande relevância na Alemanha neste momento. São muito ofuscadas pela crise na Ucrânia, preteridas por causa das elas eleições presidenciais em Itália e as eleições em França que estão para vir", sublinhou a jornalista alemã.

O colega grego, Yannis Palaiologos, acrescentou: "Durante o período dos resgates financeiros, quando a Grécia e Portugal estavam a tentar colocar as respetivas casas em ordem, os desenvolvimentos em Portugal eram de muito maior interesse para a Grécia, para acompanhar a eficácia de Portugal em lidar com os compromissos de resgate."

Entretanto, esta quinta-feira, o ministro alemão das Finanças, Christian Lindner, manifestou o apoio à Iniciativa Liberal (IL), liderada por João Cotrim Figueiredo.

À frente do FDP (Partido Liberal da Alemanha), parceiro de coligação no governo do chanceler Olaf Scholz, o ministro ressalvou que "estes são tempos difíceis" e que, por esse motivo, "há a oportunidade para votar na Iniciativa Liberal".

Por outro lado, insistiu que este é o momento certo "para tornar Portugal mais forte e apoiar políticas liberais", no país e na Europa.

O presidente da IL acredita que a meta de obter 4,5% dos votos nas eleições legislativas é "ambiciosa", mas "francamente alcançável." O partido conta eleger sobretudo em Lisboa e no Porto.