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Brexit: Suspensão de controlos agita relação entre Londres e Bruxelas

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De  Euronews
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Brexit: Suspensão de controlos agita relação entre Londres e Bruxelas
Direitos de autor  PAUL FAITH/AFP or licensors

Há uma nova tempestade a ganhar forma nas relações tensas entre a União Europeia e o Reino Unido. O motivo? Uma decisão unilateral do ministro da Agricultura da Irlanda do Norte.

Edwin Poots, do **Partido Unionista Democrático **(fiel à coroa britânica), ordenou, a partir da noite de quarta-feira,  a suspensão unilateral de controlos alfandegários exigidos aos produtos agroalimentares que chegam ao território - que faz parte do Mercado Único europeu - vindos de Inglaterra, Escócia e País de Gales.

Mas o Protocolo da Irlanda do Norte, negociado no âmbito do acordo de saída do Reino Unido da UE, exige precisamente o contrário.

O protocolo, juridicamente vinculativo, deu à **Irlanda do Norte **um estatuto especial para manter aberta a fronteira com a República da Irlanda, parte da União Europeia,e conservar a paz regional. Mas tem sido um foco de fricção por causa da circulação de mercadorias.

Bruxelas diz que cabe ao Reino Unido garantir que os controlos se fazem para cumprir a parte do trato que lhe corresponde.

“O Protocolo que assinámos é com o governo britânico, com o governo de sua majestade. Cabe o executivo britânico cumprir o acordo", sublinhou, em conferência de imprensa, Eric Mamer, o porta-voz da Comissão Europeia.

Primeiro-ministro da Irlanda do Norte demite-se

Entretanto, esta quinta-feira, o primeiro-ministro da Irlanda do Norte demitiu-se em protesto contra o acordo do "Brexit".

Paul Gavin, que abriu caminho para uma crise política,entende que não é benéfico para o frágil equilíbrio criado para a paz na região.

"As nossas instituições estão a ser testadas mais uma vez e o delicado equilíbrio criado pelos Acordos de Belfast e St. Andrew foi afetado pelo acordo feito pelo Reino Unido e a União Europeia que criou o Protocolo da Irlanda do Norte", referiu.

A partilha do poder na Irlanda do Norte é outro pilar dos acordos de paz, repartindo-se entre os "unionistas", fiéis à coroa britânica, e os nacionalistas, apoiantes de uma união com a República da Irlanda.

No território vizinho da Irlanda, precisamente, as notícias não foram recebidas da melhor maneira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Simon Coveney apontou baterias ao executivo britânico: "O que significa é incerteza contínua, instabilidade, tensão, polarização e má política na Irlanda do Norte. Penso que também é importante referir que, independentemente do que um ministro do governo britânico possa dizer hoje, os fatos aqui são muito claros. O governo britânico tem a obrigação de cumprir com o direito internacional e com os tratados que assinou e isso inclui a implementação de verificações vinculadas ao Protocolo da Irlanda do Norte”.

Em pelo clima de tensão crescente, negociadores do lado britânico e europeu falaram hoje, mas os resultados foram mínimos. A ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, encontrou-se com o vice-presidente da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, mas definiram 11 de fevereiro como uma nova data para acertarem agulhas.

Fontes de Bruxelas dizem que o acordo comercial do Reino Unido com a UE está em risco se Londres continuar a ameaçar o Protocolo da Irlanda do Norte.