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Vitórias sobre os populismos na Europa

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Emmanuel Macron reeleito
Emmanuel Macron reeleito   -   Direitos de autor  Rafael Yaghobzadeh/The Associated Press. All rights reserved

O presidente francês escolheu como música de fundo, para a sua reeleição, o "Hino à Alegria", o hino europeu. Para a União Europeia, o êxito de Emmanuel Macron contra a candidata de extrema-direita é um alívio pois exclui a perspetiva de paralisia no âmbito do projeto comum. No entanto, face à guerra na Ucrânia e às suas consequências, é sobretudo a gestão destas crises que ditará a agenda política do chefe de Estado gaulês.

"A prioridade é a emergência da guerra na Ucrânia e as suas consequências económicas. As questões da Europa, da defesa, como conter a inflação. Como deixar o petróleo e o gás russos... A questão das sanções, também, sobre a Rússia. E depois, mais especificamente, França detém a Presidência do Conselho da União Europeia. Há certos projetos a serem feitos, nomeadamente a questão do mecanismo do carbono nas fronteiras para a transição climática", refere o responsável pelo escritório da Fundação Robert Schuman em Bruxelas, Eric Maurice.

A vitória de Emmanuel Macron não deve, contudo, mascarar a desconfiança, ou mesmo a rejeição do projeto europeu, expressada pelos eleitores de Marine Le Pen. Com 41% dos votos, Paris e Bruxelas não podem ignorar o programa antieuropeu da candidata de extrema-direita.

A diretora-geral do instituto Europe Jacques Delor, Geneviève Pons, avisa que "o grande debate em França, depois de ter sido um debate de direita-esquerda, é um debate de abertura, encerramento, otimismo, pessimismo, beneficiário da globalização ou vítima da globalização."

Não foi só em França que os populistas sofreram um revés. O primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, foi derrotado nas eleições legislativas pelo candidato liberal. Este fracasso isola, ainda mais, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que defende uma agenda conservadora face ao bloco dos 27.

O professor da Cátedra Jean Monnet - Integração Europeia, na Universidade de Maynooth na Irlanda, John O'Brennan, sublinha que "o resultado esloveno é tão importante e interessante como o resultado francês. Aqui, tivemos Jansa, uma figura semelhante a Viktor Orbán, derrotado de forma compreensiva e inesperada. É a terceira grande derrota dos líderes populistas e de direita na Europa nos últimos seis meses, incluindo a de Boyko Borisov, na Bulgária, e a de (Andrej) Babis na Chéquia."

Para que a União consiga capitalizar estes resultados, as instituições europeias terão de apresentar respostas inovadoras se quiserem convencer os eleitores, a longo prazo, e reprimir a retórica populista.