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Ucrânia: Bruxelas quer criar vias solidárias para contornar bloqueios comerciais

Comboio de carga com forragem, vindo da Ucrânia, chega a Viena, Áustria, sexta-feira, 6 de maio de 2022
Comboio de carga com forragem, vindo da Ucrânia, chega a Viena, Áustria, sexta-feira, 6 de maio de 2022 Direitos de autor Theresa Wey/The Associated Press
Direitos de autor Theresa Wey/The Associated Press
De  Aida Sanchez Alonso
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A invasão russa provocou disrupções na rede de transportes da Ucrânia, dificultando a exportação de cereais e a importação de bens necessários para o país

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Bruxelas quer ajudar a Ucrânia a contornar o bloqueio que a invasão russa gerou na rede de transportes e facilitar exportações de cereais, a par das importações de bens necessários para o país, desde ajuda humanitária a alimentos para os animais e fertilizantes.

A Ucrânia é o maior produtor de grãos na Europa e um dos maiores fornecedores do Médio Oriente e África, mas por causa do bloqueio russo no Mar Negro, as saídas por mar são quase impossíveis.

Para a Comissão Europeia, a solução passa por criar vias solidárias. O plano foi hoje apresentado, com o executivo comunitário a pedir - entre outras medidas - aos operadores para disponibilizarem, por exemplo, mais camiões e navios para reduzir tempos de espera.

De modo a corresponder a procura e a oferta e estabelecer os contactos necessários, a Comissão conta criar uma logística de parcerias e pedir aos Estados-membros que enumerem pontos de contactos específicos para as vias de solidariedade.

"Se soubermos que a Ucrânia precisa de exportar 20 milhões de toneladas de grãos em três meses e calculando quanto é que pode ser transportado por um vagão ou embarcações, terminaríamos com números como 10 mil vagões ou embarcações para poder aceitar esta quantidade em três meses. Então é muito desafiador porque precisamos aumentar a capacidade, os números, a eficiência das operações para que seja possível que muito mais vagões e barcos sejam usados para transportar os grãos", explicou a comissária europeia com a pasta dos Transportes, Adina-Ioana Vălean, referindo-se aos desafios da proposta.

O mar Negro e o mar de Azov, mais a norte, estão repletos de embarcações russas.

O que significa que mesmo nos portos de Odessa e de Mikolayiv, sob controlo da Ucrânia, os barcos não podem sair.

O embaixador da Ucrânia junto da União Europeia, Vsevolod Chentsov, explicou as dificuldades em entrevista à Euronews: "claramente há um risco para a segurança alimentar. E um dos pontos principais da visita do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a Odessa, foi mostrar que é a Rússia que está a bloquear as exportações ucranianas. Não é a Ucrânia que não quer levar a comida aos mercados. E é por isso que procuramos rotas alternativas."

A tarefa adivinha-se tudo menos fácil. Até porque a rede ferroviária da Ucrânia é incompatível com grande parte do sistema europeu.

A falta das commodities ucranianas pode revelar-se ainda mias desastrosa para os preços dos cereais em todo o mundo.

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