Na sombra da extrema-direita, Moderados tentam formar governo na Suécia

Ulf Kristersson, líder do Partido Moderados, de centro-direita, que perdeu o histórico segundo lugar para a extrema-direita
Ulf Kristersson, líder do Partido Moderados, de centro-direita, que perdeu o histórico segundo lugar para a extrema-direita Direitos de autor Fredrik Sandberg/AP
De  Isabel Marques da Silva
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Com uma agenda de negação das alterações climáticas e uma forte posição anti-migração, os Democratas Suecos tentarão anular as políticas do executivo cessante, de centro-esquerda.

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O Partido Moderado foi convidado, esta segunda-feira, a tentar formar um novo governo na Suécia, embora tenha ficado em terceiro lugar nas eleições de 11 de setembro. O líder deste partido de centro-direita, Ulf Kristersson, tentará obter uma coligação com os Liberais e os Democratas-Cristãos.

A grande questão é saber qual será o papel do partido Democratas Suecos, de extrema-direita, que ficou em segundo lugar.

"Mesmo que sejam um apoio parlamentar fora do governo, isso ainda lhes dará um poder de veto bastante substancial sobre as políticas que serão prosseguidas pelo governo", disse, à euronews, Göran von Sydow, diretor do Instituto Sueco de Estudos Políticos Europeus (ISEPE).

Mais eurocéticos no seio da UE

Com uma agenda de negação das alterações climáticas e uma forte posição anti-migração, os Democratas Suecos (que se formaram nos anos 80 e têm raízes em movimentos nazis) tentarão anular as políticas do executivo cessante, de centro-esquerda.

Não só a nível interno, mas provavelmente a nível da União Europeia (UE), refere o analista do ISEPE: "São um partido eurocético, o que significa que são relutantes à ideia de que quaisquer temas passem para a esfera de decisão europeia quando podem ser melhor tratados a nível nacional".

"Além disso, nas grandes questões que enfrentamos - relacionadas com o clima e o ambiente - são talvez menos ambiciosos. Têm sido mais apagados no debate sobre a defesa do Estado de direito. Tanto os Democratas Suecos como os Moderados são muito céticos quanto a dar mais espaço à política social e questões semelhantes a nível europeu", acrescentou Göran von Sydow.

Consensual entre todos os partidos é que a Suécia deve tornar-se membro da NATO e manter o seu alinhamento com a UE em relação à Rússia e à guerra na Ucrânia.

Mas quando o governo de Estocolmo assumir a presidência semestral rotativa do Conselho da UE, a partir de janeiro de 2023, poderá ter outro país, a Itália, como mais um Estado-membro a ser influenciado pela extrema-direita no seio da União.

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