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"ICÓNICO": Exposição de fotografia reflete sobre media e democracia

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De  Isabel Marques da Silva
Algumas das fotos premiadas pelo concurso World Press Photo estão na exposição
Algumas das fotos premiadas pelo concurso World Press Photo estão na exposição   -   Direitos de autor  World Press Photo   -  

"Como é que uma imagem icónica contribui para defender a democracia"? foi o tema de um debate ancorado na exposição "ICÓNICO",  organizada pelo Parlamento Europeu em colaboração com a Fundação World Press Photo.

O retrato que a fotógrafa sul-africana Jodie Bieber fez de uma afegã que foi mutilada pelo marido teve honras de capa na revista de notícias norte-americana "Time" e deu a volta ao mundo.

Jodie Bieber ganhou com ela o prestigiado concurso World Press Photo, em 2011, e disse à euronews que o segredo está na combianção entre realidade e carga simbólica.

"Vejo este retrato como o símbolo da bela e do monstro. A primeira vez que olhamos para a fotografia inquietamo-nos... apenas vemos esta bela mulher, mas depois vemos o seu nariz. Há muitos, muitos anos eu queria criar um projecto sobre a violência contra as mulheres e nenhuma mulher queria ser fotografada. Agora as mulheres estão a lutar contra a violência de que são alvo e dão visibilidade ao que lhes aconteceu com o seu rosto. As mulheres estão muito mais desafiadoras do que alguma vez estiveram", explicou a fotógrafa.

"Pensar, perguntar, até mesmo duvidar"

Para a inauguração da exposição, 22 de setembro, no centro de informação do Parlamento Europeu, em Bruxelas, foi também convidado Pietro Masturzo.

O fotógrafo italiano venceu o prémio em 2010, com uma fotografia sobre o protesto popular depois das eleições no Irão, em 2009.

"Por vezes sentimo-nos frustrados, perguntamo-nos: "O que estou a fazer, será isto tudo inútil?" Mas, depois, quando se pensa nas conversas que podem começar sobre o tema, mesmo muitos anos mais tarde, vemos que é uma forma de defender a democracia. Pensar, perguntar, até mesmo duvidar, é importante para a democracia", disse à euronews.

Criada em 1965, a Fundação World Press Photo atribui o prémio anual e organiza a digressão fotográfica correspondente. Mas também orienta os futuros profissionais para enfrentarem os desafios que se avizinham.

"O que é que significa hoje em dia ser fotógrafo, em termos de liberdade de expressão, de censura, como é que podem agir face a estas dificudlades que surgem no seu trabalho?", são as dúvidas a que tentam responder, afirmou Joumana El Zein Khoury, diretora-executiva da Fundação World Press Photo.

Estão previstos outros debates, em outubro e dezembro, para discutir a liberdade de imprensa e o pluralismo dos meios de comunicação social.