Pagamentos instantâneos deverão ser a norma no sistema bancário da UE

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De  Méabh Mc Mahon  & Isabel Marques da Silva
Os consumidores e lojas deverão ter mais facilidade em ter o dinheiro disponível
Os consumidores e lojas deverão ter mais facilidade em ter o dinheiro disponível   -   Direitos de autor  PATRICK T. FALLON/AFP or licensors

Os bancos na União Europeia poderão ter de disponibilizar pagamentos instantâneos em euros mais acessíveis e seguros para os consumidores.

O executivo comunitário apresentou, quarta-feira, uma proposta para que uma transferência possa ser feita em qualquer altura do dia, tendo a operação de ser concluída pelo sistema bancário em dez segundos.

"Não queríamos intervir a menos que fosse realmente necessário. A razão pela qual decidimos avançar é porque esperar que o mercado o fizesse por si demoraria demasiado tempo. A Europa não quer ficar para trás, quer liderar nesta área", explicou Mairead Mc Guinness, comissária europeia para os Serviços Financeiros, em conferência de imprensa, em Bruxelas.

"Estou certa de que haverá uma discussão entre os fornecedores de serviços bancários sobre os custos e os benefícios, mas também vai criar mais concorrência, dar mais opções de pagamento, o que é saudável e positivo", acrescentou.

De acordo com dados da Comissão Europeia, apenas 11% das transferências bancárias na zona euro são instantâneas. Por vezes, são necessários até três dias úteis para que o dinheiro chega à conta de destino.

Cerca de 200 mil milhões de euros "flutuam", por assim dizer, diariamente, em vez de ficarem logo disponíveis.

"Esta legislação   tornaria os pagamentos mais rápidos, facilitaria a divisão de contas num jantar. Também se pode usar o telemóvel para ler um código QR em vez de usar o cartão bancário. Os grupos de defesa dos consumidores comparam a medida à passagem do correio tradicional para o correio eletrónico", acrescenta a correspodente da euronews, Méabh Mc Mahon.

Organizações de defesa doc consumidor muito satisfeitas

"Estamos muito satisfeitos com esta proposta porque a tecnologia já está disponível, há vários anos, mas os bancos não a aceitaram. Agora os bancos seriam obrigados a oferecerem uma solução e ao mesmo custo que uma transferência de crédito normal. O que significa que, na maioria dos casos, será gratuita para os consumidores", afirmou  Anna Martin, responsável pelos serviços financeiros na organização BEUC.

"Além disso, também teremos uma melhor prevenção da fraude. Significa que haverá uma verificação sobre se o número IBAN e o nome do beneficiário correspondem e, se não for esse o caso, o pagamento não será efetuado", disse, ainda.

Os eurodeputados e os governos dos Estados-membros terão, ainda, de se pronunciar sobre a proposta e decidirem como e quando entará em vigor.