Von der Leyen: se Pequim desse armas a Moscovo, isso "prejudicaria" as relações China-UE

Macron e Von der Leyen ladeiam Xi Jinping
Macron e Von der Leyen ladeiam Xi Jinping Direitos de autor Ludovic Marin/Pool Photo via AP
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Presidente da Comissão Europeia deixou o aviso numa conferência de imprensa em Pequim

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De visita a Pequim, onde se reuniu esta quinta-feira com o presidente chinês Xi Jinping, a presidente da Comissão Europeia reiterou que o fornecimento de equipamento militar por parte da China à Rússia "prejudicaria significativamente" o relacionamento com a União Europeia (UE).

"Quero ser muito clara sobre este assunto: armar o agressor é uma clara violação do direito internacional. É o agressor e nunca deve ser armado. Isso prejudicaria significativamente a relação entre a União Europeia e a China”, sublinhou, em conferência de imprensa, Ursula von der Leyen.

A presidente do executivo comunitário teve duas reuniões com Xi Jinping esta quinta-feira. Uma realizou-se em formato trilateral, com o presidente francês Emmanuel Macron, e a outra realizou-se em formato individual. Também se encontrou com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

“Enfatizei, durante as nossas conversas, que apoio firmemente o plano de paz do presidente [ucraniano] Volodymyr Zelenskyy. Também saudei alguns dos princípios que foram apresentados pela China. É assim no caso da segurança nuclear, da redução de risco e da declaração da China sobre não-aceitação de ameaças nucleares ou o uso de armas nucleares", acrescentou von der Leyen.

Também apelou a Pequim para usar a influência para impedir o presidente russo, Vladimir Putin, de avançar com a recente ameaça de estacionar armas nucleares táticas na Bielorrússia.

"A China, sendo um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem uma grande responsabilidade de usar a sua influência numa amizade construída ao longo de décadas com a Rússia. Contamos com a China para exercer também essa responsabilidade e ser muito clara nas mensagens,” referiu a presidente do executivo comunitário.

Numa conferência de imprensa anterior, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o homólogo chinês pediram que as negociações de paz começassem o mais rápido possível, reiterando que as armas nucleares não podem ser usadas e que os ataques contra civis e infraestruturas civis, incluindo centrais nucleares, devem ser evitados a todo custo.

"A agressão russa na Ucrânia foi um golpe para a estabilidade. Sei que posso contar consigo para trazer a Rússia de volta à razão e todos de volta à mesa de negociações", disse Macron ao homólogo chinês.

Um tópico que foi flagrantemente evitado por ambos os líderes durante a declaração conjunta foi Taiwan, apesar de Pequim ter enviado navios de guerra para o redor da ilha na quinta-feira a seguir a uma reunião em Los Angeles entre a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Kevin McCarthy.

A China considera Taiwan uma província separatista e tem intensificado a retórica nos últimos meses, provocando receios de que poderia estar a preparar-se para usar a força militar para reunir a ilha à força com o continente.

Questionada pela Euronews, Ursula von der Leyen confirmou que o tema foi abordado durante as reuniões com a liderança chinesa.

"Todos concordamos que a estabilidade no Estreito de Taiwan é de suma importância. Temos um interesse muito claro em preservar essa estabilidade, a paz e o status quo no Estreito de Taiwan. E, por isso, ninguém deve alterar unilateralmente o status quo pela força nesta região."

"A ameaça ou o uso da força para mudar o status quo é inaceitável. E é importante que algumas das tensões que possam ocorrer sejam resolvidas por meio do diálogo", insistiu a presidente da Comissão Europeia.

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