Agricultores em suspenso do voto sobre Lei de Recuperação da Natureza

Cerca de 80% dos ecossistemas da UE mostram sinais de degradação
Cerca de 80% dos ecossistemas da UE mostram sinais de degradação Direitos de autor Paul Chinn/San Francisco Chronicle
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De  Gregoire LoryIsabel Marques da Silva
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A euronews conversou com um agricultor belga que defende um modelo integrado de práticas agrícolas que também beneficiam os ecossistemas, na véspera de nova votação sobre a controversa Lei de Recuperação da Natureza, no Parlamento Europeu.

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Vincent Delobel há muito que se preocupa com a compatibilização da agricultura com a proteção dos ecossistemas, questão visada na Lei de Recuperação da Natureza na União Europeia (UE) e alvo de controvérsia política.

O agricultor belga tem cerca de 70 cabras leiteiras, na sua quinta de vinte hectares perto de Tournai, e está empenhado na agricultura biológica. Não esperou que fossem tomadas decisões políticas para minimizar os impactos da sua exploração, apostando, pro exemplo, na instalação de vedações vegetais.

"Estas sebes albergam um grande número de insetos, que podem ser benéficos para as culturas. Mas também fornecem sombra aos animais e lenha para a casa. Graças aos seus sistemas radiculares extensos, ajudam também a infiltrar a água da chuva no solo, nomeadamente em condições climáticas extremas", explicou à euronews.

Outra aposta é a qualdiade dos solos, pelo que os prados são diversificados com o cultivo de gramíneas e leguminosas e aplica o sistema de rotação. O objetivo é atrair insectos de polinização e fertilizar naturalmente os solos contra condições climáticas extremas.

Lei deve integrar em vez de separar espaços na natureza

Vincent Delobel tem acompanhado os debate em curso no Parlamento Europeu sobre a Lei de Recuperação da Natureza, que visa restaurar 20% das zonas terrestres e marinhas da UE que estão degradadas.

Trata-se de ter um modelo integrado com os insetos e as árvores nos ecossistemas agrícolas para ter uma produção e abastecimento saudável e sustentável dos nossos alimentos.
Vincent Delobel
Agricultor, Bélgica

Este produtor concorda com a necessidade de nova legislação, mas também tem algumas dúvidas sobre a forma como se vai atingir o objetivo.

"As nossas reservas sobre a lei prendem-se com a ideia de separar zonas de produção intensiva, por um lado, e outras zonas onde nada mais pode ser feito ou que são, exclusivamente, dedicadas à conservação da natureza, à preservação. Esse não é de todo o nosso modelo", refere Vincent Delobel.

"Trata-se de ter um modelo integrado com os insetos e as árvores nos ecossistemas agrícolas para ter uma produção e abastecimento saudável e sustentável dos nossos alimentos", acrescentou.

A votação no Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu, terça-feira, é um passo crucial para definir o curso da legislação.

As bancadas conservadora e social-democrata querem que se faça primeiro um estudo de impacto ambiental, mas não conseguiram que a lei fosse rejeitada na anterior votação, da qual resultou um empate.

Mas as bancadas de centro-esquaerda e ecologista pensam que seria um recuo trágico na implementação de uma medida central para o Pacto Ecológico Europeu.

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