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Argentina: Vitória de Milei pode complicar fecho de acordo UE-Mercosul

Compromissos ambientais adicionais exigidos pela UE, este ano, levaram o Brasil e a Argentina a procurar novas concessões
Compromissos ambientais adicionais exigidos pela UE, este ano, levaram o Brasil e a Argentina a procurar novas concessões Direitos de autor frame
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De  Isabel Marques da Silva
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A vitória de Javier Milei na Argentina poderá inviabilizar as negociações do acordo comercial UE-Mercosul. Durante sua campanha, o libertário de extrema direita ameaçou deixar o bloco comercial formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

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Josep Borrell, chefe da diplomacia União Europeia (UE), felicitou Javier Milei pela vitória nas eleições e afirma que pretende manter a parceria com este país da América Latina, nomeadamente "finalizando as negociações sobre o Acordo UE-Mercosul o mais rapidamente possível".

Se o acordo falhar, quem mais perderá será a UE, porque precisa de expandir a sua influência naquela região, segundo Gustavo Muller, investigador no Centro de Estudos de Governança Global da Lovaina (Bélgica).

“Não chegar a um acordo com os países do Mercosul e não ratificar o acordo de associação seria uma grande perda para a União Europeia, não só na frente económica, mas também em termos simbólicos e políticos na relação com a América Latina. A UE está a tentar, fortemente, reafirmar a influência na América Latina nos últimos anos, em particular após a invasão russa da Ucrânia, com a UE a tentar conseguir o maior número possível de aliados", explicou, em declarações à euronews.

Um negacionista das alterações climáticas

O tratado comercial foi acordado do ponto de vista técnico, em princípio em 2019, após duas décadas de negociações, mas compromissos ambientais adicionais exigidos pela UE, este ano, levaram o Brasil e a Argentina a procurar novas concessões que prolongaram as negociações.

O país mais importante nestas negociações quando se trata de alterações climáticas é a que tem mais floresta Amazónica, que é o Brasil, e é sobre ele que recai a maior parte das negociações.
Gustavo Muller
Investigador, Centro de Estudos de Governança Global da Lovaina

Agora, a eleição de um negacionista das alterações climáticas, como é Milei, pode tornar-se outro argumento para alguns Estados-membros da UE, especialmente a França e a Áustria, abandonarem o processo.

"Um novo governo na Argentina que nega os efeitos das alterações climáticas constitui um novo obstáculo, especialmente do ponto de vista da UE e, particularmente, da posição do Parlamento Europeu. Mas, ao mesmo tempo, o país mais importante nestas negociações quando se trata de alterações climáticas é a que tem mais floresta Amazónica, que é o Brasil, e é sobre ele que recai a maior parte das negociações”, disse o investigador.

A próxima cimeira do Mercosul, que é atualmente presidido pelo Brasil, está marcada para 7 de dezembro, no Rio de Janeiro (Brasil) e o presidente brasileiro, Lula da Silva quer tentar definir a posição do bloco antes de Milei assumir o cargo, a 10 desse mês.

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