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PM da Bulgária diz que país é "refém" no debate sobre espaço Schengen

O chefe de governo búlgaro, Nikolay Denkov, discursou no Parlamento Europeu
O chefe de governo búlgaro, Nikolay Denkov, discursou no Parlamento Europeu Direitos de autor Fred MARVAUX/ European Union 2023 - Source : EP
Direitos de autor Fred MARVAUX/ European Union 2023 - Source : EP
De  Sandor Zsiros
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O primeiro-ministro da Bulgária considera que o país é vítima colateral das divisões na União Europeia sobre gestão das fronteiras. Nikolay Denkov concedeu uma entrevista à euronews, quarta-feira, depois do discurso no Parlamento Europeu sobre o futuro da UE.

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Alguns Estados-membros da UE, sendo a Áustria o mais determinado, continuam a impedir a Bulgária de entrar no espaço Schengen de livre circulação, apesar de cumprir os requisitos técnicos. O chefe de governo búlgaro, Nikolay Denkov, diz que o país está "refém" de um debate político que o ultrapassa.

"Quando me encontrei com o chanceler Karl Nehamme, na Áustria, ele foi muito claro ao afirmar que não tem quaisquer problemas com a Bulgária e a Roménia. O seu problema é a forma como o espaço Schengen está a funcionar em geral", contou à euronews. 

"Por isso, esta é mais uma discussão entre a Áustria e a UE do que entre a Áustria e a Bulgária. É claro que nós somos as vítimas desta situação. Como já disse, sinto-me um pouco refém desta situação. Espero que haja uma evolução positiva em dezembro", afirmou.

A Roménia é o outro Estado-membro que cumpre os critérios técnicos, segundo a avaliação da Comissão Europeia, mas que também é alvo do bloqueio ao nível do Conselho Europeu, onde os líderes tomam decisão sobre esta matéria por unanimidade.

Os atuais membros do Espaço Schengen são todos os da UE, à exceção destes dois e de Chipre (porque metade da ilha é controlada pela Turquia), e outros parceiros europeus: Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

Imposto para ser pago pela Rússia

O primeiro-ministro búlgaro também não compreende as críticas da Hungria e da Sérvia pelo facto do governo ter anunciado que vai tributar a passagem de gás russo através do seu território, em direção a esses países.

Tive discussões com o primeiro-ministro húngaro e com o primeiro-ministro sérvio, e disse-lhes que isto não é contra os seus cidadãos. Não queremos prejudicá-los de forma alguma. O que queremos é retirar algum do lucro da máquina de guerra russa, que é alimentada pela Gazprom, literalmente.
Nikolay Denkov
Primeiro-ministro, Bulgária

A Hungria e a Sérvia receiam que a medida conduza a um aumento dos preços dos combustíveis, mas Nikolay Denkov garante que a lei não os vai afetar porque quem tem de pagar é a Rússia, através da empresa estatal Gazprom.

"A forma como este imposto é aplicado não impõe quaisquer requisitos de pagamento por parte dos países beneficiários, seja a Hungria ou outros países. Está definido de tal forma que deve ser pago pela Gazprom", esclareceu Denkov. 

"Tive discussões com o primeiro-ministro húngaro e com o primeiro-ministro sérvio, e disse-lhes que isto não é contra os seus cidadãos. Não queremos prejudicá-los de forma alguma. O que queremos é retirar algum do lucro da máquina de guerra russa, que é alimentada pela Gazprom, literalmente, de alguma forma", disse.

Sim à Macedónia do Norte na UE

No que se refere ao alargamento da UE, a Bulgária tem um historial de bloqueio das negociações de adesão da Macedónia do Norte, por causa dos direitos da minoria búlgara nesse país.

Como já foi alcançado um acordo sobre esse tema, o governo búlgaro deixa cair a sua oposição: "Não, não temos mais exigências. Existe uma decisão muito clara desde o ano passado", disse à euronews. 

"Na verdade, é entre a Macedónia do Norte e a UE que tudo se passa, trata-se de uma questão de negociações entre eles, já não é com a Bulgária. O que esperamos é que o acordo que firmámos seja cumprido pelo lado da Macedónia do Norte", rematou.

O alargamento da UE ao países da região dos Balcãs Ocidentais é do interesse político e económico da Bulgária. Mas Denkov adverte que devem cumprir todos os critérios para serem membros de pleno direito, sem concessões por estarem há muito anos à espera.

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