Sondagem revela aumento do interesse pelas eleições europeias

Uma mulher tem o rosto pintado com a bandeira da UE durante um festival em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, no domingo, 26 de maio de 2019\.
Uma mulher tem o rosto pintado com a bandeira da UE durante um festival em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, no domingo, 26 de maio de 2019\. Direitos de autor Francisco Seco/Copyright 2019 The AP. All rights reserved.
De  Mared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

O interesse pelas eleições europeias de junho de 2024 está a aumentar, quando comparado com o registado há cinco anos, segundo uma sondagem do Parlamento Europeu. Mas os partidos de extrema-direita, eurocéticos, deverão ter mais votos do que em 2019.

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Mais de metade (57%) dos cidadãos da União Europeia (UE) estão interessados nas próximas eleições europeias, quando faltam seis meses para a ida às urnas; o que é 6% superior em relação à sondagem de 2019, de acordo com os resultados da sondagem pedida pelo Parlamento Europeu.

As eleições europeias realizam-se a cada cinco anos, nos 27 Estados-membros, para escolher os deputados do Parlamento Europeu, a única instituição cujos membros são diretamente eleitos pelos cidadãos.

Sobre as intenções de voto, 68% dos eleitores votariam se a ida às urnas fosse na próxima semana, de acordo com o inquérito (mais 9% do que em 2019).

No entanto, apesar desta perspetiva otimista, as projecções de um aumento do apoio aos partidos de extrema-direita, no contexto das recentes vitórias eleitorais em muitos países da UE, lançam dúvidas sobre o futuro da União.

O porta-voz do Parlamento Europeu, Jaume Duch, disse à Euronews que uma viragem mais à direita na composição do Parlamento não vai necessariamente corroer o papel da UE, apesar das origens eurocéticas de alguns partidos.

"Alguns desses partidos que, anteriormente, eram defensores da saída da União Europeia estão agora a fazer outro tipo de propostas que já não envolvem a saída - "porque está muito frio lá fora" - mas sim propostas que visam adaptar a União Europeia àquilo que eles consideram que ela deve ser", explicou Duch.

"Obviamente que prefiro que a União Europeia não só continue a funcionar como tem funcionado até agora, mas que também funcione melhor, porque isso irá beneficiar-nos a todos", acrescentou.

De acordo com a última projeção do agregador de sondagens Europe Elects, o grupo de direita Identidade e Democracia (ID) do Parlamento Europeu - onde se encontram partidos de extrema-direita como o Rassemblement National (França) e o Alternative für Deutschland (Alemanha) - poderá ganhar até 11 lugares na votação de junho.

A recente vitória surpreendente do populista Geert Wilders, nas eleições nerlandesas, em novembro, foi a última de uma série de triunfos da extrema-direita europeia nos últimos cinco anos: Itália, Finlândia e Suécia são países onde obtiveram forte votação. Os partidos com esta ideologia estão a subir nas sondagens na Alemanha, França e Áustria.

Entusiasmo eleitoral desigual na UE

A sondagem revela, também, discrepâncias acentuadas no nível de interesse pelas eleições europeias entre os grupos sociais.

Enquanto 74% dos que acompanham regularmente a política europeia manifestaram interesse, este número desce para 34% entre os que não acompanham.

É interessante notar que 50% dos eleitores mais jovens estão interessados, contra 57% a 59% dos outros grupos etários, apesar de a geração mais jovem ser mais favorável ao projeto europeu.

O interesse pelas eleições varia significativamente entre os países da UE, indo de um máximo de 69% nos Países Baixos a um mínimo de 28% na República Checa.

A probabilidade de votar, que se situa numa média de 68% em todo o bloco, também varia consoante o país, sendo os dinamarqueses os mais propensos a ir às urnas e os cipriotas os menos propensos.

Em 24 dos 27 países do bloco, os cidadãos estão mais propensos a votar do que em 2019, com os aumentos mais significativos observados na Polónia (23%) e na Eslováquia (20%).

Ambos os países assistiram a uma mudança dramática na sua liderança política nos últimos meses. Donald Tusk, pró-UE, vai tentar formar um governo de coligação depois de ter ficado em segundo lugar  nas eleições de outubro, mas conseguido o apoio de outros partidos moderados, deixando para trás anos de governo do partido Lei e Justiça, ultraconservador. 

Na Eslováquia, o populista de esquerda Robert Fico formou um novo governo, em outubro, depois de ter prometido contestar as principais decisões da UE.

Maioria apoia a UE

De acordo com a sondagem, 61% dos europeus acreditam que a adesão à UE é algo positivo, ligeiramente acima dos 59% antes das eleições de 2019 e significativamente acima do seu mínimo de 47%, em maio de 2011.

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O número sobe para 70% entre os jovens dos 15 aos 24 anos, o grupo etário que também se revelou menos inclinado a votar.

Duch disse à Euronews que o futuro da UE é especialmente crítico para os jovens eleitores.

"As próximas gerações têm ainda mais problemas do que as gerações anteriores. Mas isso acaba por tornar o projeto europeu ainda mais valioso", considera o porta-voz.

A elevada taxa de participação dos jovens poderá ter um resultado mais positivo para os partidos pró-UE. A Áustria, a Bélgica, a Alemanha, a Grécia e Malta vão permitir que os jovens de 16 e 17 anos votem nas eleições europeias, pela primeira vez, em 2024.

Duch acredit,a também, que a visibilidade da UE em tempos de crise ajudou a cimentar a sua imagem positiva junto dos eleitores.

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"O facto de a União Europeia ter sido capaz de negociar com sucesso o Brexit, de ajudar os cidadãos durante a Covid-19 através de campanhas de vacinação ou do plano de recuperação, de se unir no apoio à Ucrânia durante a invasão russa - penso que estes momentos deram visibilidade mediática à UE e que a reação da UE lhe deu mais credibilidade", afirmou.

Mas quando questionados sobre se a adesão à UE beneficiou o seu país, os inquiridos em alguns Estados-membros são, significativamente, menos propensos a concordar do que noutros países.

Apenas uma pequena maioria dos austríacos (55%) considera que o seu país beneficia com a adesão à UE. As eleições nacionais no país coincidirão com as eleições europeias de 2024, com o Partido da Liberdade da Áustria, de extrema-direita, a liderar atualmente as sondagens.

Apesar dos sinais de erosão do apoio à UE em alguns países, Duch afirma que muito pode mudar na política em seis meses: "Nas últimas eleições nacionais, verificamos que há países onde estes partidos (de extrema-direita) estão em ascensão, mas também há países onde estão a perder terreno. Seis meses é um período muito longo em política, e ainda mais longo na política europeia".

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