Von der Leyen não quer trabalhar com "amigos de Putin" no Parlamento Europeu

Ursula von der Leyen confirmou a sua intenção de se recandidatar ao cargo de Presidente da Comissão Europeia.
Ursula von der Leyen confirmou a sua intenção de se recandidatar ao cargo de Presidente da Comissão Europeia. Direitos de autor European Union, 2024.
De  Jorge LiboreiroIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, excluiu a possibilidade de trabalhar com partidos políticos "amigos de Putin", que estejam representados no Parlamento Europeu, se for reeleita após as eleições europeias de junho.

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"Trabalho com grupos pró-europeus, pró-NATO, pró-ucranianos, claramente apoiantes dos nossos valores democráticos", disse Ursula von der Leyen, quarta-feira, quando questionada sobre os potenciais aliados no Parlamento Europeu (PE), quando as sondagens prevêem um aumento significativo dos partidos de extrema-direita, após as eleições de junho.

O primeiro mandato de Von der Leyen foi apoiado por uma grande coligação das bancadas dos conservadores, liberais e socialistas no PE, mas as forças eurocéticas deverão ganhar influência na agenda política.

"É mais a questão: qual é o conteúdo? Todas as eleições europeias implicam uma mudança na composição dos diferentes partidos políticos e dos diferentes grupos políticos. Por isso, o conteúdo conta", acrescentou a presidente da Comissão Europeia.

"Aqueles que defendem a democracia contra os eurocéticos e aqueles que defendem os nossos valores contra os amigos de Putin - é com estes que quero trabalhar e sei que posso trabalhar", disse ainda.

A chefe do executivo comunitário falou à imprensa após uma reunião da sua família política, o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, durante a qual foi confirmada como cabeça de lista e cuja aclamação deverá ocorrer num congresso do partido, no início de março, em Bucareste (Roménia).

Von der Leyen tem fortes hipóteses de conseguir um segundo mandato de cinco anos, uma vez que o PPE deverá obter o maior número de lugares no Parlamento Europeu. Ainda assim, a decisão de a nomear para um segundo mandato cabe aos líderes dos governos dos Estados-membros e só tomará posse se, depois, obtiver aprovação por maioria absoluta do novo Parlamento Europeu.

Em 2019, a nomeação de von der Leyen foi aprovada por uma margem muito estreita no hemiciclo, embora muitas das suas propostas subsequentes tenham sido apoiadas por grandes maiorias. Dadas as previsões para a futura composição do Parlamento, não é claro se  conseguirá ser eleita sem fazer concessões à extrema-direita. No entanto, se o fizer, irá certamente enfurecer os progressistas e complicar ainda mais a aritmética.

As atenções vão estar viradas para o grupo dos Conservadores e Reformistas (CRE), uma formação eurocética que engloba os partidos Irmãos de Itália (Itália), Lei e Justiça (Polónia), Vox (Espanha), Nova Aliança Flamenga (Bélgica), Partido Cívico Democrático (Chéquia), Democratas da Suécia (Suécia) e Partido Finlandês (Finlândia). O partido francês de extrema-direita Reconquista, liderado por Éric Zemmour, aderiu recentemente a este grupo.

A linha vermelha é: defendem a democracia? Defendem os nossos valores? São muito firmes no Estado de direito? Apoiam a Ucrânia? E lutam contra a tentativa de Putin de enfraquecer e dividir a Europa? Estas respostas têm de ser muito claras.
Ursula von der Leyen
Presidente da Comissão Europeia

Há muita especulação  sobre se o CRE irá acolher nas suas fileiras deputados do Fidesz, o partido do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que tem mantido uma relação estreita com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (Irmãos de Itália), tendo esta expressado publicamente a sua confiança em assegurar a adesão.

Mas a ideia de trabalhar com o partido de Orbán desencadeou uma reação das delegações sueca, finlandesa e checa, que criticam o primeiro-ministro húngaro pela sua posição de bloqueio no apoio à Ucrânia, a sua oposição às sanções contra o Kremlin, a sua relação com Vladimir Putin e o seu atraso na ratificação da adesão da Suécia à NATO.

"Contra o Estado de direito? Impossível. Amigos de Putin? Impossível"

Será que von der Leyen vai trabalhar com esse grupo? Dependerá das posições que tomarem. "Contra o Estado de direito? Impossível. Amigos de Putin? Impossível", disse von der Leyen, referindo-se especificamente ao CRE.

"A linha vermelha é: defendem a democracia? Defendem os nossos valores? São muito firmes no Estado de direito? Apoiam a Ucrânia? E lutam contra a tentativa de Putin de enfraquecer e dividir a Europa? Estas respostas têm de ser muito claras", acrescentou.

A presidente da Comissão Europeia referiu que algumas delegações que integram atualmente o CRE poderão sair do grupo e juntar-se ao PPE, um cenário que tem sido referido relativamente aos irmãos de Itália.

O presidente do PPE, Manfred Weber, afirmou que a CRE não tem "um entendimento comum" a nível interno e que não será capaz de "dar resposta às preocupações da UE aos cidadãos".

"Os partidos que estão a fazer campanha contra a Europa, que são amigos de Putin, estão a ficar cada vez mais fortes e isso é extremamente preocupante para nós, o PPE, que queremos manter a estabilidade", disse Weber.

"É isso que queremos ver estrategicamente, que tenhamos uma posição chave no próximo Parlamento Europeu, mas sempre com base na cooperação entre as forças democráticas pró-europeias", concluiu.

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