Stoltenberg "confiante" de que os EUA vão manter-se empenhados na NATO

Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg
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De  Maria PsaraMared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, está "confiante" de que os Estados Unidos se manterão empenhados na aliança militar após as eleições presidenciais de novembro, apesar da ameaça aos aliados feita pelo candidato republicano Donald Trump.

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"A NATO é importante para a Europa, mas também para os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm 31 amigos e aliados, algo que a Rússia ou a China não têm de todo", Jens Stoltenberg, em entrevista à Euronews, segunda-feira, por ocasião da cerimónia de adesão da Suécia à NATO, em Bruxelas.

Stoltenberg, que deverá terminar o mandato em outubro, insistiu que a NATO é "um bom negócio para os Estados Unidos", apesar do candidato republicano às presidenciais, Donald Trump, ter ameaçado, em fevereiro,  que "encorajaria" a Rússia a atacar qualquer país da NATO que não contribuísse com 2% do seu PIB.

Uma frase que causou ondas de choque na Europa, com o próprio Stoltenberg a alertar para o risco de minar a "credibilidade da dissuasão da NATO" e a recordar aos EUA que uma NATO forte é do seu interesse, uma vez que o país "nunca travou uma guerra sozinho".

Alguns legisladores republicanos no Congresso dos EUA continuam a bloquear um pacote de ajuda à Ucrânia, uma vez que algumas vozes no partido defendem que se iniciem negociações de paz em vez de continuar a fornecer apoio militar e financeiro a Kiev.

A perspetiva do regresso de Donald Trump à Casa Branca é vista como um catalisador para os esforços da Europa no sentido de reforçar as suas próprias capacidades de defesa, com a UE a revelar, recentemente, novos planos para reforçar a sua indústria de defesa e os aliados da NATO a planearem cumprir, rapidamente, o objetivo de despesa da aliança de 2% do PIB.

"As críticas não são principalmente contra a NATO, mas sim contra os aliados da NATO que não investem o suficiente na NATO", afirmou Stoltenberg, referindo-se aos comentários de Trump.

Mais de metade já atingiram objetivo

Espera-se que pelo menos 18 dos 32 países membros da aliança atinjam o objetivo de 2% de despesa este ano, uma vez que a guerra na Ucrânia catapultou a defesa para o topo das listas de prioridades das nações europeias.

Estamos também a enviar uma mensagem muito clara a Moscovo de que a porta da NATO continua aberta. Não cabe a Moscovo ou ao presidente Putin fechar essa porta. Cabe aos EUA e aos países europeus decidir sobre a adesão.
Jens Stoltenberg
Secretário-geral da NATO

A invasão em grande escala da Rússia também levou a Finlândia e a Suécia a virarem as costas às suas posições históricas de neutralidade, com ambas a pedirem para aderir à NATO apenas quatro meses após a invasão russa.

A adesão da Suécia tornou-se possível no mês passado, depois de a Hungria ter levantado o seu veto à candidatura de Estocolmo. Anteriormente, a candidatura tinha sido vetada pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan.

A adesão significa que a Suécia está, pela primeira vez, protegida pela cláusula de defesa colectiva da NATO, o que significa que um ataque armado ao país é considerado um ataque contra todos os membros e permitirá que a aliança venha em seu auxílio.

"A adesão à NATO torna a Suécia mais segura e torna a NATO mais forte", afirmou Stoltenberg.

"Estamos também a enviar uma mensagem muito clara a Moscovo de que a porta da NATO continua aberta. Não cabe a Moscovo ou ao presidente Putin fechar essa porta. Cabe aos EUA e aos países europeus decidir sobre a adesão", disse.

NATO sempre "vigilante" em relação à Rússia

Quando questionado sobre se estava preocupado com a potencial reação do presidente russo, Vladimir Putin, a uma maior expansão da NATO, Stoltenberg disse: "É claro que temos de estar sempre vigilantes, temos de levar sempre a sério a potencial ameaça da Rússia".

"Ao mesmo tempo, não vemos qualquer ameaça militar iminente contra a Suécia, a Finlândia ou qualquer outro aliado da NATO", acrescentou.

A política de defesa colectiva da NATO conseguiu garantir a paz durante 75 anos, afirmou Stoltenberg, "eliminando qualquer margem para mal-entendidos ou erros de cálculo em Moscovo, sobre a nossa vontade, prontidão e preparação para proteger todos os aliados".

"Não o fazemos para provocar uma guerra, mas para evitar uma guerra, para evitar um ataque a um aliado da NATO", explicou.

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No passado, Putin culpou parcialmente a expansão oriental da NATO pela guerra da Rússia na Ucrânia, alegando que a aliança tinha prometido não se expandir após a Guerra Fria.

Após a adesão da Finlândia, em abril de 2023, a fronteira terrestre da NATO com a Rússia mais do que duplicou. Mas, mesmo depois disso, a Rússia partilha apenas 11% da sua fronteira terrestre com os países da NATO.

Stoltenberg também repetiu a sua proclamação do direito da Ucrânia a atacar "alvos militares russos fora da Ucrânia" como parte da sua autodefesa.

"A Ucrânia tem o direito à auto-defesa: isso está consagrado no direito internacional, consagrado na Carta das Nações Unidas. E os aliados da NATO têm o direito de ajudar a Ucrânia a defender o seu direito à autodefesa", explicou.

"E isso inclui também ataques contra alvos militares russos legítimos fora da Ucrânia. Isso é um facto, é o direito internacional".

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A guerra à porta da Europa revigorou a aliança militar, mas também a forçou a clarificar as suas linhas vermelhas. Stoltenbergreiterou que não há planos para enviar tropas militares para a Ucrânia, depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, ter sugerido que tal não deveria ser excluído.

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