UE fecha acordo de 5 mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia

Os países da UE chegaram a acordo sobre um pacote de 5 mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia.
Os países da UE chegaram a acordo sobre um pacote de 5 mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia. Direitos de autor LIBKOS/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
De  Jorge LiboreiroEuronews
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Artigo publicado originalmente em inglês

Os Estados-membros da União Europeia chegaram a acordo para renovar o regime especial de reforço do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, que tem sido utilizado para doar armas e munições à Ucrânia. O novo envelope é de cinco mil milhões de euros.

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O acordo injetará mais cinco mil milhões de euros até ao final do ano, que se juntarão aos 6,1 mil milhões de euros autorizados desde o início de 2022. O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (MEAP) ganhou proeminência desde a invasão da Rússia, uma vez que os Estados-membros passaram a doar à Ucrânia equipamento militar das suas reservas nacionais.

O MEAP reembolsa, parcialmente, os custos destas doações, permitindo que todos os países, desde os maiores aos mais pequenos, contribuam.. Trata-se de um regime "extra-orçamental", uma vez que os cofres da UE não podem financiar despesas com implicações militares.

Mas, em 2023, o MEAP tinha as suas reservas quase esgotadas e os governos passaram a fazer donativos bilaterais à Ucrânia, em vez de coletivos. O mecanismo ficou paralisado em maio, depois de a Hungria ter vetado o seu reforço, em represália pela designação do Banco OTP (húngaro) pelo governo de Kiev como "patrocinador internacional da guerra".

A designação foi levantada meses mais tarde, após uma intensa ação diplomática, mas o governo de Budapeste continuou a impedir a disponibilização de uma nova parcela de 500 milhões de euros para reforçar o mecanismo.

Entretanto, foi lançado um debate para reformar o MEAP e torná-lo mais eficiente, mais previsível e mais adaptado às necessidades da Ucrânia.

No entanto, as conversações ficaram enredadas em considerações políticas e arrastaram-se por mais tempo do que o previsto.

A Alemanha insistiu em descontar as "contribuições em espécie" (doações bilaterais) da contribuição, enquanto que a França, apoiada pela Grécia e por Chipre, exigiu que o MEAP fosse utilizado exclusivamente para comprar armas e munições fabricadas no bloco.

Ucrânia à espera de munições e de apoio financeiro

O debate em Bruxelas contrastou fortemente com os acontecimentos no campo de batalha: em fevereiro, as tropas ucranianas foram forçadas a retirar da cidade oriental de Avdiivka, marcando uma pequena mas estratégica vitória para a Rússia. 

O revés esteve ligado à diminuição dos fornecimentos militares por parte dos aliados ocidentais, em particular dos Estados Unidos, onde um pacote de 60 mil milhões de dólares está preso em lutas bipartidárias.

De acordo com o Instituto Kiel, a Alemanha lidera as doações do bloco com 17,7 mil milhões de euros, seguida da Dinamarca com 8,4 mil milhões de euros e dos Países Baixos com 4,4 mil milhões de euros.

Em contrapartida, três dos maiores países estão mais atrasados: Itália (0,67 mil milhões de euros), França (0,64 mil milhões de euros) e Espanha (0,33 mil milhões de euros). 

O governo de Paris contestou a metodologia do instituto e argumenta que os seus donativos bilaterais ascendem a 2,61 mil milhões de euros, o que está muito longe dos de Berlim.

Paralelamente, a Chéquia lançou uma iniciativa para adquirir 800 mil cartuchos de artilharia a produtores de fora da UE, que poderiam ser entregues a Kiev num prazo acelerado. O projeto, que foi criado fora do âmbito do MEAP, obteve o apoio de 18 países, segundo o presidente Petr Pavel.

No entanto, o primeiro-ministro, Petr Fiala, reduziu posteriormente o número para 300 mil cartuchos.

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