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O que levou Macron a dissolver o Parlamento? Analista explica

ARQUIVO - O Presidente francês Emmanuel Macron sai da cabina de voto antes de votar nas eleições legislativas antecipadas em França.
ARQUIVO - O Presidente francês Emmanuel Macron sai da cabina de voto antes de votar nas eleições legislativas antecipadas em França. Direitos de autor Yara Nardi, Pool via AP, File
Direitos de autor Yara Nardi, Pool via AP, File
De  Lauren Chadwick
Publicado a Últimas notícias
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Artigo publicado originalmente em inglês

Analistas têm tentado especular sobre as razões que levaram o Presidente Emmanuel Macron a convocar eleições antecipadas.

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A convocação de eleições antecipadas pelo Presidente francês levou muitos a questionar o que esperava Macron ganhar com o escrutínio.

Para surpresa de muitos eleitores, Macron anunciou a dissoluçãodo parlamento após a derrota nas eleições europeias, em que a extrema-direita liderou as sondagens.

"Esta decisão é séria e pesada, mas é, acima de tudo, um ato de confiança na capacidade do povo francês para fazer a escolha certa para si e para as gerações futuras", afirmou Macron.

A alteração do calendário eleitoral francês com uma votação rápida representa um regresso a um "regime parlamentar normal, em que as eleições legislativas não estão de todo ligadas às eleições presidenciais", disse à Euronews Delphine Dulong, professora de ciência política na Universidade de Paris I, Panthéon-Sorbonne.

Em França, as eleições legislativas seguem diretamente as eleições presidenciais e resultam frequentemente numa maioria para o Presidente.

O alinhamento do calendário eleitoral surgiu na sequência do referendo de 2000, convocado pelo Presidente Jacques Chirac, que limitou o mandato presidencial a cinco anos.

As mudanças ajudaram a evitar a "coabitação", quando o Presidente tem de nomear um primeiro-ministro de um campo oposto, mas também significam que, normalmente, as eleições legislativas são definidas pelos candidatos que pertencem ao partido do Presidente ou que se lhe opõem.

Mas Dulong disse que estas eleições antecipadas "não vão esclarecer muita coisa", politicamente, para o Presidente, com a analista a dizer que as eleições, na sua opinião, "não deram de todo os resultados que ele esperava."

"Pouco responsável"

Enquanto o partido de extrema-direita RN saudou a decisão de Macron de convocar eleições, outros questionaram-na, considerando a dissolução uma aposta arriscada.

"Não estou na cabeça do Presidente. Se estivesse na sua cabeça, talvez fosse capaz de compreender porque é que ele nos colocou em perigo com esta dissolução", disse à Euronews Grégory Doucet, presidente da Câmara de Lyon, do partido Os Verdes, antes das eleições.

Na primeira volta do escrutínio, o partido de Macron voltou a registar uma diminuição do apoio, prevendo-se agora que a coligação do Presidente perca lugares na Assembleia Nacional, quando faltam três anos para o fim do mandato de Macron.

"Nada estava a forçar o Presidente a convocar eleições antecipadas", afirma Dulong, acrescentando que as eleições europeias foram, pelo contrário, um "pretexto" para algo que o Presidente já estava a considerar há algum tempo.

Dulong salienta que Macron sabia que o estava a fazer num "contexto de risco", com uma "polarização para os extremos" entre o eleitorado.

O facto de a sondagem ser realizada imediatamente antes dos Jogos Olímpicos de Paris, e poder incitar os movimentos sociais em França, não foi "muito responsável da parte do Presidente da República", acrescentou.

A eurodeputada dá ainda outras duas razões possíveis para o Presidente ter dissolvido o parlamento: o facto de ter "acreditado na sua estrela da sorte", depois de ter saído do nada nas eleições de 2017, ou o facto de ter pensado que, se perdesse as eleições, ter um primeiro-ministro de um partido da oposição ajudaria o presidente a "refazer a sua imagem."

Após a segunda volta, será uma questão de saber se Macron consegue criar uma coligação que reúna alguns elementos da direita e da esquerda, ou se será forçado a coabitar com um primeiro-ministro da oposição, como um da extrema-direita.

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