Em entrevista à Euronews, David McAllister, presidente da Comissão dos Assuntos Externos, defende não travar a ratificação do acordo UE-EUA para punir Trump devido às ameaças de comprar a Gronelândia.
Um dos principais eurodeputados diz que não se deve travar a ratificação do acordo comercial assinado pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos (EUA) no verão passado, em retaliação pela retórica belicista da administração Trump em torno da Gronelândia.
"É preciso separar os dois temas: o acordo comercial UE-EUA e o apoio à Gronelândia", afirmou David McAllister, um dos principais eurodeputados do Partido Popular Europeu, ao programa matinal de referência da Euronews, Europe Today, na quinta-feira.
"Precisamos de concluir as negociações comerciais com os EUA porque as empresas precisam de previsibilidade", acrescentou. McAllister preside à Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu.
O Parlamento Europeu tem de ratificar o acordo alcançado por Donald Trump e pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, em agosto passado, na Escócia, que triplicou as tarifas sobre produtos da UE e reduziu a zero os direitos sobre bens industriais provenientes dos EUA.
Os EUA pressionam para que a ratificação integral do acordo avance, mas vários eurodeputados ponderam travar o processo de aprovação em protesto contra as pretensões de domínio de Trump sobre o território dinamarquês, que afirma que acontecerão "de uma forma ou de outra".
McAllister disse que "existem diferentes posições dentro dos grupos políticos" do Parlamento Europeu, mas insistiu que "devem ser tratados separadamente".
"O PPE e os Conservadores Europeus defendem avançar [com a aprovação do acordo]", afirmou. "Os Socialistas, Liberais e Verdes talvez queiram adiar a votação."
Na quarta-feira, o Parlamento divulgou uma declaração conjunta dos líderes dos grupos políticos, expressando o seu "apoio inequívoco à Gronelândia e à Dinamarca", e condenou a linguagem belicista empregue pelos EUA, que não excluíram meios militares para adquirir a propriedade do território semiautónomo, rico em terras raras.
"Fomos muito claros no nosso compromisso para com a Gronelândia. A União Europeia vai reforçar o seu empenho na Gronelândia: o apoio financeiro será duplicado no próximo quadro financeiro plurianual", lê-se na declaração.