Iniciativa Liberal contraria ex-assessora e nega que tenha havido "qualquer queixa interna ou reporte, formal ou informal" sobre Cotrim. Candidato adianta que queixa-crime que apresentou dará entrada esta quinta-feira.
A ex-assessora do grupo parlamentar da IL, Inês Bichão, disse esta quinta-feira que a publicação em que acusa João Cotrim Figueiredo de assédio sexual foi difundida sem o seu consentimento, acrescentando que "a veracidade dos factos" envolvendo o candidato presidencial será apurada nos tribunais.
Num comunicado enviado à agência Lusa, Inês Bichão esclarece que, na segunda-feira, 12 de janeiro, "foi ilicitamente difundido" e sem o seu consentimento, "conteúdo de natureza privada, originalmente partilhado em contexto restrito e não público", na rede social Instagram.
"Essa divulgação está a ser instrumentalizada em contexto de campanha eleitoral, contra a minha vontade, no âmbito da qual não tive nem tenho qualquer intervenção", refere.
A advogada, atualmente a trabalhar no gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, garante ainda que "os factos em causa foram reportados em sede interna no decurso de 2023".
A antiga assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) acrescenta que "a divulgação indevida de conteúdos privados, a exposição não consentida" do seu nome e da sua imagem, "bem como as ameaças e tentativas de intimidação" de que tem sido alvo, "configuram ilícitos juridicamente relevantes".
"Não pretendo alimentar esta polémica, mas não deixarei de exercer os meus direitos em sede própria, na qual a veracidade dos factos será apreciada nos quadros e com as garantias que o Estado de Direito assegura", conclui Inês Bichão.
Cotrim diz que não teve conhecimento da denúncia interna
O candidato presidencial, apoiado pela Iniciativa Liberal, revelou aos jornalistas que, ainda esta quinta-feira, vai submeter uma queixa-crime por difamação.
Depois de confrontado pelos jornalistas sobre um comunicado emitido por Inês Bichão, onde esta diz ter reportado internamente o caso de assédio sexual, Cotrim Figueiredo garantiu que "não tinha qualquer conhecimento da matéria".
"Só posso interpretar que não sou visado [na denúncia], se não ter-me-iam dito. Conheço bem a Mariana Leitão, é uma pessoa íntegra", acrescenta. Em causa está o facto de a atual líder liberal ter desempenhado na altura funções de chefe do gabinete parlamentar do partido.
Cotrim Figueiredo considera que a denúncia por assédio sexual serve apenas para "dinamitar" a sua campanha e insistiu que o mesmo o desvia da sua campanha que é, na sua opinião, "provavelmente o propósito de quem pôs isto a circular".
"Não estou a dizer que foi a pessoa em si, alguém fez isto e está a conseguir. Vocês estão a ser completamente instrumentalizados para usar este caso para dinamitar a minha campanha nos últimos dois dias", referiu.
Perante a insistência dos jornalistas, o candidato escusou-se a fazer mais comentários sobre o tema e sublinhou que "todos os factos serão apurados em tribunal".
Entretanto, a Iniciativa Liberal também veio negar que tenha havido "qualquer queixa interna ou reporte, formal ou informal, sobre o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo".
"É completamente falso", garantiu o partido num comunicado publicado nas redes sociais.
"A Iniciativa Liberal rejeita visceralmente uma campanha suja que lança acusações muito graves sem qualquer evidência ou prova. Tudo isto será obviamente esclarecido de forma inequívoca em tribunal", reforça ainda o partido.