As alegações surgiram precisamente seis dias antes da primeira volta das eleições presidenciais e numa altura em que o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal tem vindo a subir nas sondagens divulgadas diariamente. Cotrim diz que vai avançar com queixa-crime contra a ex-assessora por difamação.
Uma ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL), que trabalhou no passado com João Cotrim Figueiredo, acusou o agora candidato presidencial de assédio sexual. As alegações foram partilhadas pela própria numa publicação na rede social Instagram, entretanto apagada.
As afirmações em causa partiram de Inês Bichão, ex-assessora da Iniciativa Liberal que exerce, atualmente, funções no Governo, mais concretamente no gabinete de Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Segundo está a ser reportado pela imprensa portuguesa, Inês Bichão divulgou numa story várias declarações que terão sido proferidas, segundo assegurava, por Cotrim Figueiredo durante o período em que colaborou com a Iniciativa Liberal. Por essa via, reportou supostas práticas laborais desadequadas por parte do então deputado, nomeadamente de cariz sexual. E escreveu que, por esse motivo, "não suportaria a ideia" de ver o candidato a desempenhar o cargo de Presidente da República.
Na mesma publicação, partilhada apenas com os seus "amigos chegados" no Instagram, indicou ainda que, apesar de reconhecer "inteligência e competência" no também eurodeputado, e que trabalhar com ele "foi um desafio" a "vários níveis", elaborou: "Não vou esquecer o que acontece às pessoas que não fazem o que ele quer ou que pensam diferente de si. E dos telefonemas que faz logo a seguir para minar propostas de trabalho".
A polémica caiu que nem uma bomba na campanha presidencial de João Cotrim Figueiredo. Em comentário aos jornalistas, depois de as alegações terem sido tornadas públicas, indicou que pretendia “processar por difamação a pessoa em causa", já que, garantiu, todas as práticas que lhe estavam a ser imputadas eram “falsas”.
A reação fez-se também por via das redes sociais. "No fim da campanha aparece agora uma acusação de assédio. É completamente falso. Isto é a política mais suja que há. Nunca pensei que pudessem ir tão baixo para me atacar. É indigno. É tudo falso e vou obviamente processar quem me está a difamar", lê-se numa publicação assinada pelo candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, no X.
E acrescenta no mesmo post: "Tudo isto porque estou a crescer. Venham os ataques que vierem, venham de todo o lado, não nos desmoralizam, vamos até ao fim, por Portugal".
Segundo as sondagens que têm vindo a ser publicadas diariamente, o também eurodeputado apresenta uma tendência crescente nas intenções de voto, sendo que algumas das mais recentes colocam-no, inclusive, em segundo ou terceiro lugar na corrida para a primeira volta, agendada para o próximo domingo, dia 18 de janeiro.
Trinta mulheres saem em defesa de Cotrim
Numa carta aberta a que a agência Lusa teve acesso, trinta mulheres que já trabalharam com o agora candidato presidencial asseguraram que, durante esse período, foram sempre recebidas num ambiente de respeito, profissionalismo e consideração.
"Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador", lê-se no documento divulgado, no qual saem em defesa de João Cotrim Figueiredo.
"Como o silêncio de quem conhece a realidade também pode ser uma forma de injustiça, escolhemos falar", indicaram estas mulheres, justificando ainda que o "objetivo deste texto" passava apenas por "acrescentar ao espaço público um testemunho honesto e coletivo" sobre aquilo que, garantiram, conheceram "em primeira mão".
As apresentadoras de televisão Iva Domingues e Filipa Garnel, mas também as atuais deputadas da Iniciativa Liberal na Assembleia da República Joana Cordeiro e Angélique da Teresa e a ex-parlamentar liberal Patrícia Gilvaz foram alguns dos nomes que assinaram a missiva.