O ex-presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, diz à Euronews que a "abordagem bajuladora" de Rutte em relação ao presidente dos EUA levará a um "fracasso total".
O chefe da NATO, Mark Rutte, deve deixar de ser um "agente americano" e unir a tensa aliança militar face à "retórica hostil" e à "intimidação" dos Estados Unidos, adiantou o antigo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, à Euronews.
"Quero ser claro, Mark Rutte está a dececionar e estou a perder a confiança nele", disse Michel, que liderou o Conselho durante cinco anos, até 2024, ao programa matinal da Euronews, Europe Today, na sexta-feira.
"Não espero que Mark Rutte seja um agente americano. Espero que Mark trabalhe pela unidade dentro da NATO", acrescentou Michel.
Rutte, que ficou famoso por chamar o presidente dos EUA, Donald Trump, de "papá" da aliança da NATO, ganhou reputação como o "sussurrador" de Trump. O líder da aliança também proporcionou uma saída para Trump recuar nas suas recentes ameaças de desencadear uma guerra comercial com os países europeus por causa da Gronelândia.
Michel disse à Euronews que a "diplomacia bajuladora" de Rutte "não funcionará" e poderá levar a um "fracasso total".
"Enfrentamos intimidações, enfrentamos ameaças. O que está a acontecer com a Gronelândia é inaceitável e espero que Mark Rutte seja uma voz forte para defender a unidade entre a NATO", afirmou.
Acrescentou ainda que UE é um "parceiro muito leal" dos EUA e "não merece" o recente "comportamento" de Trump, referindo-se às ameaças do presidente dos EUA sobre a Gronelândia, às suas tentativas de dar "legitimidade" ao presidente russo, Vladimir Putin, e às sanções impostas a antigos funcionários da UE.
A administração norte-americana impôs recentemente sanções a Thierry Breton, antigo comissário europeu francês e czar tecnológico responsável pela elaboração do regulamento digital da UE.
É "possível" que a Ucrânia adira à UE até 2027
Michel também se pronunciou sobre as negociações para um futuro acordo de paz para a Ucrânia, afirmando que líderes como Macron, de França, e Meloni, de Itália, estão "certos" ao exigir um encontro direto com Putin.
"Precisamos de estar à mesa das negociações, porque hoje [não estamos]. Isso é muito triste. É até um pouco chocante", afirmou. "Quem está a defender os interesses europeus à mesa das negociações? Não são os Estados Unidos, nem a Rússia."
Michel sugeriu o seu sucessor, António Costa, como possível enviado para as negociações, afirmando que este tem "legitimidade" para falar em nome dos 27 líderes da UE.
Questionado sobre o objetivo do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy de que o seu país adira à UE até 2027 como parte de um plano de paz, Michel afirmou: "É absolutamente correto e é possível", apelando à integração de Kiev no bloco europeu "o mais rapidamente possível".
Veja acima a entrevista completa ao antigo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.