Em entrevista ao programa matinal Europe Today, da Euronews, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que a sua instituição não se opõe a uma maior integração da UE, enquanto Mario Draghi apelou a uma federação "pragmática".
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, defendeu o conceito de permitir que alguns Estados-membros prossigam uma integração mais profunda antes de outros, chamando-lhe "um caminho para a unidade" e não um obstáculo.
"Nunca nos opusemos a que os Estados-membros fossem mais longe", disse Roberta Metsola ao programa matinal Europe Today, da Euronews, comentando as discussões sobre uma maior integração realizadas na reunião dos líderes da União Europeia no dia anterior.
Os líderes da UE reuniram-se informalmente na quinta-feira, no castelo de Alden Biesen, na Bélgica, para discutir a competitividade, com a presença dos antigos primeiros-ministros italianos Mario Draghi e Enrico Letta, que publicaram relatórios influentes sobre a reforma económica europeia.
"Já o tivemos com o espaço Schengen, já o vimos com o euro e em diferentes áreas", afirmou Metsola. "Isto não é um obstáculo ou um atalho para a unidade, é antes um caminho para a unidade".
Embora a cimeira informal não tenha produzido conclusões escritas, os líderes apresentaram uma união a duas velocidades como uma solução potencial para o impasse político em torno das reformas económicas necessárias para reativar o crescimento europeu, privilegiando a rapidez em detrimento da unanimidade.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou o princípio da cooperação reforçada, um mecanismo que permite a um grupo de, pelo menos, nove Estados-membros apresentar políticas sem unanimidade aos líderes antes de uma reunião.
O presidente francês Emmanuel Macron foi um pouco mais longe após a reunião, sugerindo que a Europa precisa de um "pacote completo" de medidas económicas, incluindo um financiamento conjunto, acordado até junho. Se não for possível fazê-lo a 27, será feito através de uma cooperação reforçada.
A mudança é significativa, uma vez que a UE tem historicamente privilegiado o consenso e a unanimidade é a base da elaboração de políticas para decisões importantes que afetam o bloco como um todo.
Prazo de março para ações concretas
Metsola afirmou que a UE tem "uma oportunidade estreita" até ao próximo Conselho Europeu, em março, para apresentar resultados concretos e estabelecer um calendário, fazendo eco de declarações de outros líderes sobre a urgência de implementar mudanças.
A eurodeputada apelou ao empenho total na conclusão da União dos Mercados de Capitais, da União Bancária, da União da Poupança e do Investimento e da União da Energia, que considera fundamentais para manter a competitividade da UE no atual contexto geopolítico.
"A Europa terá assim mais facilidade em investir, crescer, inovar e expandir-se", afirmou.
Metsola sublinhou três prioridades urgentes: "2026 será o ano em que teremos de salvar a indústria automóvel. Em segundo lugar, temos de reforçar a nossa posição de líderes de mercado. Terceiro, precisamos de concluir mais acordos comerciais".
Questionada sobre se considera o apelo da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para que os co-legisladores "façam a sua parte" como uma crítica, Metsola respondeu: "De forma alguma. É um apelo comum à ação, tal como o Parlamento Europeu tem vindo a solicitar há muito tempo que a Comissão apresente propostas de simplificação".
"Temos agora as propostas em cima da mesa e estamos a trabalhar muito rapidamente nelas", acrescentou.