No domingo, multidões em toda a Europa assinalaram o Dia Internacional da Mulher, participando em marchas e manifestações que sublinharam os esforços para combater a discriminação e acelerar a paridade de género.
No domingo, multidões reuniram-se nas ruas de toda a Europa para assinalar o Dia Internacional da Mulher, exigindo o fim da desigualdade e da violência baseada no género.
Centenas de pessoas protestaram contra a violência, por um melhor acesso a cuidados de saúde específicos para cada género, igualdade salarial e outras questões nas quais não recebem o mesmo tratamento que os homens.
Cerca de 20.000 pessoas participaram numa marcha para o Dia Internacional da Mulher em Berlim. A agência noticiosa alemã dpa informou no domingo que a multidão era o dobro da esperada pela polícia. Os oradores do evento denunciaram a violência contra as mulheres na Alemanha, bem como a discriminação de género. Em Barcelona, registou-se também uma afluência de mais de 22.000 pessoas.
Oficialmente reconhecido pelas Nações Unidas em 1977, o Dia Internacional da Mulher é comemorado de diferentes formas e em diferentes graus em todo o mundo. Os protestos são frequentemente políticos - e, por vezes, violentos - e têm origem nos esforços das mulheres para melhorar os seus direitos enquanto trabalhadoras.
Em 2026, comemora-se o 115.º ano do Dia Internacional da Mulher. O tema deste ano é "Dar para Ganhar", com destaque para a angariação de fundos para organizações centradas nas questões das mulheres e para formas menos tangíveis de dar, como ensinar os pares, celebrar as mulheres e "desafiar a discriminação".
De acordo com dados das Nações Unidas, as mulheres em todo o mundo detêm 64% dos mesmos direitos legais que os homens.
O Dia Internacional da Mulher é uma celebração global - e um apelo à ação - marcada por manifestações, maioritariamente de mulheres, que vão desde protestos combativos a corridas de caridade. Algumas manifesyações celebram as conquistas económicas, sociais e políticas das mulheres, enquanto outras apelam aos governos para que garantam a igualdade de remuneração, o acesso aos cuidados de saúde, a justiça para as vítimas de violência baseada no género e a educação para as raparigas.
É um feriado oficial em mais de 20 países, incluindo o Afeganistão, Burkina Faso, Ucrânia, Rússia e Cuba, o único nas Américas. Nos Estados Unidos, março é celebrado como o Mês da História da Mulher.
Apelo à ação em tempos de conflito
De Bruxelas a Madrid, muitos são os que, este ano, estão também a sensibilizar para as questões dos direitos das mulheres no contexto de um mundo cada vez mais afetado por conflitos.
Os manifestantes expressaram a sua solidariedade para com as mulheres afectadas pela guerra na Ucrânia, no Irão, em Gaza e noutros locais. De acordo com as Nações Unidas, as mulheres em zonas de conflitos armados são desproporcionadamente afetadas pela violência baseada no género.
Milhares de pessoas manifestaram-se em cidades espanholas no domingo para denunciar a violência contra as mulheres e a guerra no Médio Oriente, desencadeada por ataques israelo-americanos.
As manifestações tiveram lugar em Madrid, Barcelona, Valência, Sevilha, Granada, Bilbau e San Sebastian, entre outras cidades.
"Não à guerra" e "Feministas antifascistas contra a guerra imperialista" foram alguns dos slogans escritos nos cartazes dos protestos em Madrid, onde também se realizaram manifestações separadas a favor dos direitos dos transexuais e da legalização e regulamentação da prostituição.
"Está ao nosso alcance parar a guerra, parar a barbárie e conquistar direitos. Proclamamo-nos em defesa da paz, em defesa do povo iraniano, em defesa das mulheres iranianas", declarou Yolanda Diaz, segunda vice-presidente, à imprensa durante a manifestação.
Espanha tem sido um dos países protagonistas na resposta internacional ao conflito no Irão. O primeiro-ministro socialista Pedro Sanchez atraiu a ira da administração norte-americana depois de ter recusado a utilização das bases militares espanholas para ataques contra o Irão, o que classificou como um "erro extraordinário" e "não conforme com o direito internacional".
O presidente dos EUA, Donald Trump, atacou o governo de Sanchez, ameaçando cortar todo o comércio com o membro da UE e da NATO, que ele chamou de "um perdedor".