O ex-presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse ao programa matinal Europe Today, da Euronews, que este é um "momento histórico" para a Hungria e que a relação de Orbán com a Ucrânia e os EUA é "perturbadora".
A vitória de Péter Magyar e do seu partido Tisza é um "momento muito importante" para a UE e para a Hungria e um "momento histórico" para a Hungria, afirmou na segunda-feira o antigo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
A chegada de Péter Magyar, depois de garantir uma maioria de dois terços nas eleições húngaras, vai provocar uma mudança no Conselho Europeu e permitir que a UE seja "mais integrada" e "ambiciosa", disse Charles Michel, antigo primeiro-ministro belga, ao programa matinal da Euronews, Europe Today.
"Este é um passo importante para a unidade da UE", afirmou Michel. No entanto, o facto de o primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán, já não participar no Conselho Europeu não garante automaticamente que as reuniões sejam "fáceis", reconheceu Michel.
Michel disse ainda que espera ver se o que Magyar anunciou como reformas antes das eleições "se torna realidade" e se o novo governo "consegue pôr em prática" essas mudanças.
O papel da Hungria deverá mudar, de acordo com Magyar. No seu primeiro discurso após a divulgação dos resultados, Magyar afirmou que "a Hungria voltará a ser um aliado forte que representa os interesses húngaros".
Como primeira medida, o político húngaro disse no seu primeiro discurso de domingo que a Hungria vai aderir à Procuradoria Europeia (EPPO), o organismo que investiga crimes financeiros transnacionais e complexos.
Uma das primeiras coisas que Magyar quer abordar são as reformas necessárias para desbloquear os 17 mil milhões de euros congelados pela Comissão Europeia devido a preocupações com o Estado de direito no país governado até agora por Orbán.
"Vamos trazer para casa os fundos da UE que são devidos ao povo húngaro", disse Magyar. Mas o líder do Tisza está consciente da dificuldade de os descongelar a tempo; alguns deles perder-se-ão depois do final de agosto.
Também se espera que a Ucrânia beneficie da derrota de Orbán após 16 anos no poder, uma vez que o primeiro-ministro cessante era conhecido por ter bloqueado um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev. Esta situação irá provavelmente mudar, afirmou Michel. "A Ucrânia merece o nosso apoio", afirmou o antigo presidente do Conselho Europeu.