O presidente da República convidará o líder do Partido Tisza, que obteve a maioria constitucional nas eleições, a formar governo, declarou Péter Magyar após a reunião. A sessão inaugural do Parlamento poderá, realisticamente, ter lugar por volta de 6-7 de maio.
O primeiro-ministro eleito, e líder do Tisza, será convidado pelo presidente da República a formar governo. A informação foi dada por Magyar depois de deixar o gabienete do chefe de Estado no Palácio Sándor.
Péter Magyar adiantou também que a data e o calendário da sessão inaugural do Parlamento foram acordados.
"A data mais próxima possível para a sessão inaugural poderá ser depois do fim de semana prolongado de 1 de maio, por volta de 6-7 de maio, e a última data possível é 12 de maio", disse o líder do partido Tisza.
O presidente da República, nomeado pelo Fidesz, e Péter Magyar concordaram plenamente com as questões técnicas a debater.
O líder do Tisza reiterou também o seu apelo, feito no seu discurso de vitória na noite das eleições, para que o presidente da República se demitisse.
"O povo húngaro votou por uma mudança de regime, não por uma mudança de governo", disse Magyar. "Aos meus olhos e aos olhos do povo húngaro, ele é indigno e incapaz de ser o guardião do Estado de direito, de ser um padrão moral ou um modelo para o povo húngaro. Devia ter-se pronunciado em muitas ocasiões, para proteger a ordem democrática do Estado", declarou.
"Pedi-lhe que preservasse o que resta do Estado de direito húngaro e da democracia demitindo-se, que considerasse os nossos argumentos, porque se não se demitir voluntariamente, utilizaremos o mandato eleitoral e afastá-lo-emos, bem como a todos os outros fantoches nomeados por Orbán", atirou.
De acordo com Péter Magyar, Tamás Sulyok deu uma resposta sugestiva. "Ele disse que quer preservar o Estado de direito e a reputação da Hungria no estrangeiro, por isso vai ter em conta os meus argumentos", afirmou Magyar.
O primeiro-ministro eleito também terá pedido a Tamás Sulyok para mediar com o Viktor Orbán de modo a que o governo cessante fornecesse ao novo governo informações adequadas sobre a situação do país, bem como um acordo sobre as questões mais importantes. Mayar reforçou que quer que sejam tomadas decisões sobre as questões mais urgentes, como por exemplo, a segurança energética da Hungria.
No geral, o líder do partido Tisza afirmou que a discussão com o presidente da República foi objetiva e conduzida num tom culto.
Na ordem constitucional húngara, o presidente da República é eleito pela Assembleia Nacional e tem sobretudo fracos poderes cerimoniais, mas também desempenha um papel no controlo das normas.
Os presidentes da República eleitos com o apoio do partido Fidesz — Pál Schmitt, János Áder, Katalin Novák e Tamás Sulyok — têm, de forma geral, apoiado os governos liderados por Viktor Orbán. Pál Schmitt demitiu-se após um escândalo de plágio, enquanto Katalin Novák renunciou ao cargo na sequência de um perdão presidencial controverso relacionado com um caso de abuso infantil.
Após a sua vitória política, Péter Magyar apelou à demissão de Tamás Sulyok, afirmando que, caso este não o fizesse, poderia ser destituído com uma maioria parlamentar de dois terços. No entanto, um processo desse tipo dependeria também da cooperação do Tribunal Constitucional, cujos membros foram nomeados maioritariamente durante governos do Fidesz, o que poderia dificultar essa destituição.
Depois de Péter Magyar, o primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán, encontrou-se também com o presidente da República.