O ministério da Defesa russo publicou os endereços das empresas europeias que produzem drones para a Ucrânia. O vice-presidente do conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, descreveu-as como potenciais alvos para o exército russo.
O ministério da Defesa russo publicou uma lista de sucursais de empresas ucranianas na Europa e de empresas estrangeiras que, alegadamente, produzem componentes de drones "para ataques em território russo". O ministério afirmou que tais ações "estão a arrastar cada vez mais os países europeus para a guerra".
O ministério afirma ainda que, no final de março, os líderes de vários países da União Europeia decidiram aumentar a produção e o fornecimento de UAV à Ucrânia para ataques em território russo, bem como expandir o financiamento de empresas localizadas em países europeus para a produção de drones de ataque e os seus componentes.
"Consideramos esta decisão como um passo deliberado que conduz a uma escalada acentuada da situação militar e política em todo o continente europeue à transformação gradual destes países na retaguarda estratégica da Ucrânia", afirmou o ministério russo num comunicado, sublinhando que os ataques contra a Rússia com drones produzidos pela Europa "conduzem a consequências imprevisíveis".
"O público europeu deve não só compreender claramente as verdadeiras causas das ameaças à sua segurança, mas também conhecer os endereços e as localizações das empresas 'ucranianas' e 'conjuntas' para a produção de UAV e componentes para a Ucrânia no território dos seus países", afirmou o ministério.
A lista publicada inclui 11 sucursais de alegadas "empresas ucranianas que produzem drones e componentes". Entre elas encontram-se empresas alegadamente localizadas nas cidades britânicas de Mildenhall, Leicester e Londres, na dinamarquesa Stevring, na alemã Munique e na letã Riga,Vilnius, na Lituânia, Hengelo, nos Países Baixos, Melec e Tarnów, na Polónia, e Praga, na Chéquia.
Entre as empresas estrangeiras que alegadamente produzem UAVs e componentes para os mesmos, são indicadas as coordenadas de 10 empresas na Alemanha, Espanha e Itália, bem como na Chéquia, em Israel e na Turquia.
"Sonhos agradáveis, parceiros europeus!"
O vice-presidente do conselho de Segurança da Rússia e antigo presidente Dmitry Medvedev afirmou que a lista "deve ser entendida como uma lista de potenciais alvos para as Forças Armadas russas". Escreveu numa publicação na plataforma X.
"A declaração do ministério da Defesa russo deve ser entendida de forma extremamente literal: a publicação dos locais de produção de drones e de outros equipamentos militares na Europa é um registo de potenciais alvos legítimos para as forças armadas russas", explicou Medvedev.
"O momento em que a possibilidade de um ataque se tornará realidade dependerá da evolução da situação", acrescentou o antigo presidente russo, despedindo-se de forma cáustica:
"Bons sonhos, parceiros europeus!"
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, os países europeus têm prestado uma grande ajuda financeira e militar a Kiev, fornecendo sistemas de armamento e munições às Forças Armadas Revolucionárias da Ucrânia (AFU).
Esta semana, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou acordos com a Alemanha e a Noruega sobre a produção conjunta de drones. No dia anterior, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni também manifestou interesse nessa cooperação.
"O apoio à Ucrânia não é apenas um dever moral, mas também uma necessidade estratégica. A segurança da Europa está em causa", afirmou Meloni após uma reunião com Zelensky em Roma.