Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Apelo de Espanha para suspender acordo UE-Israel deverá fracassar devido a ampla oposição

A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, discursa numa conferência de imprensa após debates de alto nível sobre a solução dos dois Estados e o apoio à Palestina
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, discursa numa conferência de imprensa após debates de alto nível sobre a solução dos dois Estados e o apoio à Palestina Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Vincenzo Genovese
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O apelo de Sánchez para suspender o acordo de associação da UE com Israel não conta com apoio antes da reunião ministerial. Madrid retomou a proposta após acolher uma convenção progressista de dois dias, apelando ao fim da guerra.

Os países da UE deverão rejeitar o pedido de Espanha para pôr fim ao acordo de associação UE-Israel durante a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, na terça-feira, em Bruxelas, revelaram diplomatas à Euronews.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apelou no domingo à rescisão do acordo, acusando Israel de violar o direito internacional e, por conseguinte, os termos do acordo. Mas o seu apelo está longe de alcançar a posição unânime necessária para avançar.

A Irlanda e a Eslovénia já se tinham juntado anteriormente a Espanha no pedido para discutir o acordo, considerando que Israel "viola as suas obrigações em matéria de direitos humanos" devido às contínuas violações do acordo de cessar-fogo, à escalada de violência na Cisjordânia, aos ataques à população civil no Líbano e à aprovação da pena de morte pelo parlamento israelita.

A suspensão total do acordo de associação exige uma "posição unificada" entre os países, afirmou Kaja Kallas, chefe dos Negócios Estrangeiros da UE, embora tal não esteja explicitamente previsto nos tratados da UE.

De momento, "não existe um consenso alargado entre os Estados-membros" para suspender o acordo, indicou um diplomata à Euronews.

Países como a Alemanha e Itália, que se opuseram à iniciativa no passado, não alteraram a sua posição.

"Itália vai adotar uma abordagem séria e equilibrada [sobre o assunto], tendo em conta que não deve haver consequências negativas para a população civil israelita", é a posição oficial do governo liderado por Giorgia Meloni.

Outros países consideram que a situação merece uma nova discussão, mas não prevêem o apoio necessário para uma decisão imediata.

A suspensão total foi também solicitada por mais de um milhão de cidadãos europeus através de uma petição transfronteiriça.

Em vez disso, a Comissão Europeia propôs uma suspensão parcial do mesmo acordo em setembro passado, quando a guerra em Gaza ainda estava em curso. A presidente Ursula von der Leyen propôs a suspensão do pilar comercial do acordo, deparando-se com uma oposição semelhante por parte dos países da UE.

"Penso que se deve avaliar se é possível avançar com essas medidas, se os Estados-membros assim o desejarem, para pressionar Israel", afirmou Kallas, referindo-se à suspensão parcial, após uma reunião para a implementação da solução de dois Estados, onde se encontrou com o primeiro-ministro palestiniano Mohammad Mustafa.

Até à data, a proposta tem estado parada, com os Estados-membros profundamente divididos. Países como a Alemanha, a Hungria e a Chéquia opuseram-se à medida, impedindo a formação de uma maioria qualificada (pelo menos 55% dos Estados-membros, representando pelo menos 65% da população total da UE) necessária para adotar restrições comerciais.

Hungria é fundamental para sanções contra colonos israelitas violentos

Outra proposta apresentada pela Comissão é um conjunto de sanções contra os colonos israelitas violentos na Cisjordânia.

Todos os países da UE, exceto a Hungria, concordam com esta iniciativa, que poderá ter um desfecho positivo após as eleições húngaras.

"Este país teve eleições e vai ter um novo governo. Não vou falar pelo novo governo, mas penso que podemos analisar todas estas políticas e ver se têm uma nova abordagem", disse Kallas aos jornalistas na segunda-feira. "Os crimes dos colonos têm de ser punidos."

O partido húngaro Tisza, que deverá formar um novo governo em Budapeste, não respondeu às perguntas da Euronews sobre o tema.

Na Declaração de Nova Iorque, assinada em julho de 2025, a UE comprometeu-se a "adotar medidas restritivas contra os colonos extremistas violentos e as entidades e indivíduos que apoiam os colonatos ilegais".

Até à data, a UE sancionou, ao abrigo do Regime Global de Sanções da UE em matéria de Direitos Humanos, nove indivíduos e cinco entidades ligados ao extremismo violento na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, bem como pelo bloqueio da ajuda humanitária a Gaza durante a guerra.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Espanha leva à UE proposta de romper associação com Israel em 48 horas

Trump anuncia que Israel e Líbano chegam a acordo sobre cessar-fogo de dez dias

Eslováquia decide em referendo sobre o fim dos pagamentos vitalícios aos políticos