Os robôs com IA já embalam, selecionam e classificam artigos em armazéns de e-commerce como os humanos fariam, só que de forma mais rápida, mais eficiente e mais precisa. Os promotores afirmam estar a trabalhar para minimizar o impacto social de uma revolução que consideram "impossível de travar".
Os robôs movidos a IA que se encontram atualmente em funcionamento num enorme armazém de e-commerce perto de Berlim foram concebidos para processar mais de 600 unidades por hora, sendo capazes de identificar de forma autónoma o tipo, tamanho, forma e peso de cada um dos artigos e das suas embalagens, e de otimizar o processamento dos mesmos.
"Os robôs trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana. Portanto, se compararmos os robôs com os humanos, os primeiros não precisam de fazer pausas, conseguem trabalhar de forma contínua e são bastante consistentes", explica Nitin Annam, diretor de Operações da CEVA Logistics. "Não se trata necessariamente de substituir as pessoas pela automatização, é mais sobre como produzir mais volume a um custo mais barato e com mais eficiência."
"Sem estas soluções baseadas em IA, os modelos de negócio do e-commerce deixam de ser viáveis", afirma Klaus Lichtenfeld, diretor de Logística para a União Europeia de um retalhista de moda online que utiliza este centro de distribuição como plataforma principal na Europa continental.
"O nosso e-commerce é muito volátil, o que torna muito difícil gerir de forma correta as equipas", diz Lichtenfeld. "A vantagem dos robôs é que estão sempre presentes e podem ajudar-nos a lidar facilmente com picos de volume."
A solução robótica foi concebida e testada por uma empresa em fase de arranque com 140 trabalhadores na capital da Polónia, Varsóvia, com engenheiros que desenvolveram soluções de IA baseadas na nuvem que ajudam os robôs a aprender com cada escolha.
"Quando o robô está a trabalhar, recolhemos todos os dados que podemos, todas as leituras de todos os sensores, todas as imagens de cada contentor que o robô vê, e usamos esses dados para treinar o modelo de aprendizagem automática e aperfeiçoá-lo ainda mais", explica Ewa Maciaś, diretora de Engenharia de Software e Experiência do Utilizador na Nomagic. "Os robôs conseguem adaptar-se a objetos que nunca viram e a formas, tamanhos e tipos de objetos diferentes."
Um dos desafios tecnológicos consiste em desenvolver os selecionadores perfeitos, umas "mãos robóticas" que sejam capazes de processar uma grande variedade de artigos e embalagens, desde embalagens de plástico a caixas de sapatos. "Uma caixa de sapatos tem uma tampa, a caixa em si e o objeto no interior", explica o engenheiro de design mecatrónico Mateusz Karolak. "Se o robô pegar apenas na tampa, por exemplo, isso não é considerado um sucesso. Tem de pegar no artigo inteiro e certificar-se de que este se mantém num só volume, sem se separar."
A empresa em fase de arranque afirmou ter triplicado o volume de negócios e o número de clientes nos últimos anos, nos quais se incluem retalhistas de grande dimensão. Em 2025, anunciou que tinha garantido um investimento de cerca de 50 milhões de euros para impulsionar a inovação da IA no campo da robótica. Tanto os criadores como os utilizadores finais afirmam estar atentos ao impacto social deste desenvolvimento rápido impulsionado pela IA na logística do comércio eletrónico.
"Os robôs continuam a precisar de manutenção. Estamos a trabalhar em conjunto com os nossos clientes na formação das equipas deles e já observámos casos em que os funcionários se orgulham de trabalhar num ambiente mais avançado e de alta tecnologia, em vez de num ambiente onde é necessário executar muitas tarefas manuais", diz Kacper Nowicki, CEO da Nomagic.
"Um armazém sem pessoas não funciona", acrescenta Lichtenfeld. "Nunca irá funcionar. Ou seja, teremos sempre funcionários humanos, pessoas a trabalhar num armazém. Não estamos necessariamente a substituir o homem pela máquina", conclui Annam. "É mais uma questão de criar uma certa harmonia e seguir em frente."