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"Forçar o regresso levará ao caos na Síria", diz ministro dos Negócios Estrangeiros à Euronews

Asaad al-Shaibani, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria e Maria Tadeo, Euronews
Asaad al-Shaibani, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria e Maria Tadeo, Euronews Direitos de autor  Euronews
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Al-Shaibani manteve um debate político com o principal diplomata da UE, numa altura em que o país procura ajuda para reconstruir a sua economia.

Forçar o regresso de centenas de milhares de sírios que vivem na Europa sem apoio financeiro levaria ao "caos" no país, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad Hassan al-Shaibani, numa entrevista exclusiva em Bruxelas, após conversações com homólogos da UE.

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Al-Shaibani reuniu-se esta semana com a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, numa altura em que o bloco procura apoiar a frágil transição política da Síria após a destituição de Bashar al-Assad em 2024.

Os governos europeus, liderados pela Alemanha, apelaram também às autoridades sírias para que facilitem o regresso dos cidadãos sírios que vivem na Europa. No início deste ano, o chanceler alemão Friedrich Merz sugeriu que 80% dos cerca de um milhão de sírios que fugiram do país com o início da guerra regressassem à Síria até 2030.

A sua proposta suscitou controvérsia, com grupos de defesa dos direitos humanos e partidos da oposição a alertarem para o facto do regresso forçado poder pôr em risco milhares de vidas.

O Instituto Económico Alemão também sugeriu que o número de sírios que trabalham e pagam contribuições sociais na Alemanha é superior ao indicado pelo chanceler.

Al-Shaibani defendeu a atuação do seu governo, afirmando que "não há maiorias nem minorias, apenas sírios", mas avisou que um processo de regresso apressado conduziria ao caos e insistiu que os regressos a esta escala devem ser acompanhados de apoio financeiro.

Em linha com as declarações do presidente Ahmed al-Sharaa, afirmou que Damasco não assumiu metas concretas nem definiu um calendário para o regresso dos deslocados.

"Já avisámos que forçar o regresso involuntário e indigno dos sírios vai conduzir ao caos", disse à Euronews. "A situação na Síria exige a criação de um ambiente adequado. Para isso, é necessário o envolvimento da comunidade internacional, especialmente da União Europeia, para apoiar o governo sírio" no processo de reconstrução.

Al-Shaibani disse, ainda, à Euronews que não existe um acordo formal sobre o regresso ou "sobre o número" de sírios que se espera que regressem.

"Não estamos a encorajar o regresso dos sírios de uma forma apressada e desorganizada", explicou, acrescentando que a reconstrução da economia e a criação de condições são pré-requisitos para um regresso em grande escala.

Reconstrução da Síria

Numa altura em que o cenário político europeu está a mudar para políticas de migração e asilo mais duras, a UE considera que a estabilização da Síria é fundamental para acelerar os regressos. Bruxelas também vê Damasco como um potencial parceiro no Médio Oriente, desde que possa ser afastado daquilo que o bloco descreve como "atores malignos" que operam na região, incluindo a Rússia.

A UE também afirmou que a assistência financeira será condicionada à garantia de proteção das minorias étnicas e religiosas no país por parte das autoridades sírias.

"Para nós, é importante que todas as minorias sejam tidas em conta pelo governo, é necessário que haja inclusão", disse Kallas aos jornalistas antes da reunião. "É por isso que estamos a oferecer a nossa ajuda na elaboração da Constituição, para que possam efetivamente ter eleições".

Um diplomata europeu envolvido nas discussões disse à Euronews que a UE leva a sério as preocupações sobre a inclusão, encarando-a como uma condição para construir uma relação mais profunda.

Ainda assim, esta semana, o Conselho Europeu anunciou que iria restabelecer a plena implementação do acordo de cooperação UE-Síria, permitindo mais comércio bilateral. O acordo foi suspenso pela primeira vez em 2021. A sua reintegração segue-se a uma série de medidas da UE que aliviam as restrições ao país após a queda do regime de Assad.

No ano passado, o Conselho também levantou as sanções económicas contra a Síria.

Al-Shaibani, em declarações à Euronews, disse que "uma vez que os países europeus já não estão a aceitar pedidos de asilo dos sírios que estão a sair, isso mostra que consideram que a situação é segura e estável".

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