França abriu investigação sobre tráfico de seres humanos depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter divulgado, em janeiro, o último conjunto de ficheiros da investigação sobre o financeiro norte-americano.
Cerca de dez "novas" alegadas vítimas apresentaram-se como parte de uma investigação francesa sobre a rede do falecido agressor sexual americano Jeffrey Epstein, disse um procurador no domingo.
França abriu uma investigação por tráfico de seres humanos depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado, em janeiro, o mais recente conjunto de ficheiros da investigação sobre o financeiro caído em desgraça, que morreu na prisão em 2019, enquanto enfrentava acusações de tráfico de raparigas menores para sexo.
Os magistrados franceses estão a tentar investigar possíveis crimes cometidos em França ou que envolvam franceses que facilitaram os crimes de Epstein.
Laure Beccuau, procuradora-geral de Paris, afirmou que cerca de 20 presumíveis vítimas se deram a conhecer depois de ter instado as potenciais vítimas a falarem em fevereiro.
Algumas já eram conhecidas dos investigadores, disse à RTL.
"Mas também tivemos novas vítimas que se deram a conhecer, que não conhecíamos de todo. São cerca de dez", acrescentou.
"A opção que tomámos, para já, foi a de ouvir essas vítimas", acrescentou.
"Um certo número está no estrangeiro, pelo que os investigadores têm tentado marcar reuniões para quando puderem vir a Paris".
Os investigadores estão também a analisar os chamados "ficheiros Epstein" e vão procurar nomes mencionados pelas alegadas vítimas.
"Também voltámos a consultar os computadores de Epstein, os seus registos telefónicos, as suas agendas", disse, acrescentando que a sua equipa iria "pedir ajuda internacional".
Os investigadores franceses revistaram o luxuoso apartamento de Epstein em Paris em setembro de 2019, depois de este ter sido encontrado enforcado na sua cela de prisão em Nova Iorque no mês anterior.
Entre as suspeitas de vítimas já conhecidas pelos investigadores estão mulheres que falaram durante as investigações sobre o ex-chefe da agência de modelos europeia Gerald Marie e o falecido agente de modelos Jean-Luc Brunel.
Em março, quinze mulheres instaram França a investigar Marie por possíveis ligações a Epstein.
Em 2023, os investigadores encerraram uma outra investigação sobre as acusações de que Marie tinha cometido abusos sexuais nas décadas de 1980 e 1990, por ser demasiado antiga para poder ser objeto de um processo judicial.
As autoridades francesas detiveram Brunel em 2020, após alegações de que este teria abusado sexualmente de menores e de que teria angariado vítimas para o multimilionário norte-americano. Foi encontrado morto na prisão em 2022.
Duas ex-modelos disseram à AFP que um recrutador de manequins Daniel Siad as preparou com o objetivo de as entregar a Epstein, num caso, na década de 2000, e a Marie, no outro caso, na década de 1990.
No âmbito da última investigação sobre tráfico de seres humanos, "nenhuma das pessoas potencialmente implicadas foi interrogada" até à data, afirmou Beccuau.
Em 2008, Epstein declarou-se culpado de ter procurado para prostituição uma rapariga com menos de 18 anos e cumpriu 13 meses de prisão antes de ser libertado em liberdade condicional.