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Europa é o 'último evangelista' de uma ordem comercial já ignorada, diz Benjamin Haddad

Ministro francês dos Assuntos Europeus Benjamin Haddad fala à Euronews, 26 de maio de 2026
Ministro francês dos Assuntos Europeus Benjamin Haddad fala à Euronews, 26 de maio de 2026 Direitos de autor  Euronews 2026
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De Mared Gwyn Jones
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Ministro francês dos Assuntos Europeus defende que a Europa use todos os instrumentos para se proteger de práticas comerciais agressivas de rivais como China e EUA, que diz terem há muito abandonado as regras básicas do comércio internacional.

Europa deve usar «todas as ferramentas» de que dispõe para «defender os seus interesses» e enfrentar práticas agressivas de comércio externo que ameaçam a sua indústria, afirmou à Euronews o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad.

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As declarações surgem numa altura em que a UE pondera apertar o cerco a uma inundação de importações chinesas.

«O compromisso com o direito do comércio internacional é importante. Mas é preciso ser forte para ser respeitado», afirmou Haddad no programa de entrevistas da Euronews, 12 Minutes With.

«É preciso ser capaz de defender os próprios interesses e usar todas as ferramentas disponíveis, sobretudo para impor os princípios básicos de equidade e de reciprocidade.»

Questionado se a Europa tinha reagido tarde demais ao desmantelamento das regras do comércio internacional, Haddad respondeu: «Sim, penso que sim, porque acho que nós, europeus, continuamos por vezes a ser os últimos evangelistas de uma religião que já ninguém pratica.

«Sabe, a religião do livre‑comércio sem entraves da OMC (Organização Mundial do Comércio), que a China e os Estados Unidos abandonaram há muito tempo.»

Na sexta‑feira, a equipa da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reúne‑se para debater medidas mais duras em resposta a um conjunto de práticas comerciais chinesas que ameaçam canibalizar a indústria e o mercado europeus.

Espera‑se que a discussão continue quando os líderes da UE se reunirem em Bruxelas para uma cimeira em meados de junho.

Antes desse debate, cinco países da UE, entre os quais França, Itália e Espanha, apelaram ao executivo comunitário para que considere a utilização de tarifas e outras medidas para proteger o bloco de práticas comerciais externas, sem mencionar a China.

Têm aumentado as preocupações com o excesso de capacidade industrial de Pequim, o recurso maciço a subsídios estatais e o controlo apertado de matérias‑primas críticas.

A China domina cada vez mais setores estratégicos, das matérias‑primas à tecnologia, o que lhe permite consolidar influência política sobre os concorrentes.

Mas a UE tem demorado a convergir numa posição comum, com alguns países, como a Alemanha, relutantes em apertar o cerco a Pequim, com receio de pôr em causa a relação comercial.

Europa não pode ser ingénua

Questionado sobre se a Alemanha se estava a aproximar gradualmente da posição francesa, o ministro Haddad afirmou: «Há uma consciencialização em toda a Europa de que, durante muito tempo, pensámos que era seguro exportar para a China. E agora vemos, pelo contrário, que (...) o know‑how tecnológico está a aumentar na China com o apoio do Estado.»

«Temos um mercado único europeu forte; há todas as razões para sermos otimistas quanto ao poder que um mercado único pode representar, mas apenas se formos capazes de o valorizar. E temos todas as ferramentas à nossa disposição (...). Por isso, agora o essencial é não ser ingénuos, olhar para o que os outros fazem e proteger‑nos também.»

Um estudo recente indicou que a indústria alemã poderá ter perdido até 124 000 postos de trabalho em 2025, com o setor automóvel particularmente afetado, não só devido à forte concorrência externa, mas também à fraca procura e à escalada dos custos da energia.

Em fevereiro, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu uma redefinição da doutrina económica da UE até junho, acrescentando que mais emissão conjunta de dívida a nível europeu deveria ser parte integrante desse plano.

Mas a guerra no Irão e o fecho efetivo do estreito de Ormuz provocaram, entretanto, ondas de choque em toda a economia global, ameaçando pôr de lado o esforço europeu para reforçar a competitividade.

Os países da UE tradicionalmente apelidados de grupo dos «frugais» opõem‑se também veementemente a aumentar a dívida comum enquanto a margem orçamental é tão reduzida e os governos já enfrentam níveis elevados de dívida e défice.

Ainda assim, Haddad defendeu a emissão conjunta de dívida como única solução para recuperar a vantagem competitiva da Europa.

«Há, na verdade, uma grande procura nos mercados por ativos emitidos pela União Europeia, que é um parceiro financeiro fiável e de confiança», afirmou.

«E creio que, quando olhamos para áreas como a defesa, o espaço ou a inteligência artificial, onde estamos a investir pouco, estamos subalavancados em comparação com os Estados Unidos, é precisamente aí que faria sentido voltar a recorrer aos mercados e injetar investimento massivo para apoiar os nossos próprios inovadores, as nossas próprias empresas.»

Reconheceu também que um grupo de países com a mesma visão, disposto a emitir dívida em conjunto nos mercados, poderia avançar em bloco sem ter necessariamente o apoio dos 27 Estados‑Membros.

«Penso que, quando existe um grupo central de Estados‑Membros que quer avançar e aprofundar a integração e a cooperação nestas matérias, então, a certa altura, deveremos ser capazes de seguir em frente e criar dinâmica para que outros se juntem.»

Pode ver a entrevista completa com o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, na quarta‑feira, 27 de maio, às 17h45 CET, na Euronews.

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