Na era do excesso de informação digital, a imprensa periódica mantém a confiança. Um estudo indica que a imprensa especializada continua forte, chegando a 78% dos cidadãos
Num momento em que o excesso de informação e a contestação da credibilidade das notícias dominam, a necessidade de fontes fidedignas é mais premente do que nunca. De acordo com uma investigação da Focus Bari, agência de pesquisa de mercado e opinião pública, 80% dos cidadãos afirmam receber diariamente um volume muito elevado de informação, enquanto quase 9 em cada 10 dizem pôr frequentemente em causa a sua veracidade. Neste contexto, as redes sociais surgem como a principal fonte de desinformação, ao passo que os meios impressos raramente são associados a conteúdos problemáticos, reforçando a sua imagem de fontes mais credíveis.
Mostra a investigação que a imprensa periódica especializada mantém forte penetração junto do público, já que 78% dos cidadãos contacta com publicações de conteúdo especializado. Entre estes, um em cada cinco lê-as semanalmente, e uma fatia significativa utiliza-as também para fins profissionais ou para informação pessoal. 65% dos leitores consideram-nas uma fonte fiável de informação, 69% reconhecem que oferecem conteúdos exclusivos e 54% classificam-nas como jornalisticamente sólidas. Em paralelo, 50% afirma que estas publicações sustentam uma informação independente e de qualidade, e um em cada dois leitores (50%) diz estar disposto a pagar por conteúdos de qualidade.
A imprensa regional também conserva forte presença, com 77% dos cidadãos a declararem que contactam com jornais regionais. Um em cada quatro lê-os semanalmente, e o público reconhece o seu papel determinante na valorização dos temas locais (62%), no apoio à economia local (47%), na manutenção da ligação dos cidadãos aos seus territórios (50%, percentagem que sobe para 74% entre os leitores regulares). Em simultâneo, 48% considera que oferecem conteúdos que não existem noutros meios.
Governo: debate sobre os meios de comunicação ultrapassa o setor e atinge o núcleo da democracia
Na apresentação da investigação, na conferência da União dos Jornalistas Proprietários de Imprensa Periódica (EDIPT), «Media and Magazine Days 2026», o secretário de Estado adjunto do primeiro‑ministro e porta-voz do governo, Pavlos Marinakis, salientou que o debate sobre os meios de comunicação diz respeito ao núcleo da democracia.
«Travamos juntos uma batalha muito mais importante do que o valor que têm, por si só, os próprios meios», afirmou, acrescentando que se trata de uma batalha «para blindar a democracia, defender o prestígio do país e proteger a informação que chega aos cidadãos».
Marinakis referiu-se ainda à modernização institucional dos meios de comunicação social através dos Registos de Imprensa, à transparência no financiamento, ao apoio à imprensa local e regional, bem como à necessidade de combater a desinformação por via da educação e de intervenções institucionais. Deu especial destaque ao valor do jornalismo assinado.
Dimitris Kirmikiroglou, secretário-geral da Comunicação e Informação, sublinhou que a perda de confiança nas instituições cria terreno fértil para a desinformação e para a retórica de ódio.
O objetivo, enfatizou, é reforçar a liberdade de imprensa e apoiar a imprensa escrita, com medidas que, pela primeira vez, comparticipam os custos laborais, asseguram a manutenção de postos de trabalho e reforçam a ética profissional dos meios. Kirmikiroglou mencionou ainda a Estratégia Nacional para a Literacia nos Média, que visa aproximar a nova geração da imprensa escrita e protegê-la dos riscos das plataformas digitais.
Penny Kalyva, presidente da União Helénica de Editores de Imprensa Periódica (EDIPT), assinalou que, apesar das dificuldades que começaram antes da pandemia e se agravaram posteriormente, a imprensa especializada continua a resistir graças ao seu público-alvo. Indicou que revistas setoriais, médicas, jurídicas e empresariais permanecem ativas e sustentáveis, porque oferecem informação e análise especializadas que não se encontram noutros títulos.
Com base nos dados da investigação e nestas intervenções, concluiu-se que, num contexto de excesso de informação e de crise de confiança, a imprensa especializada regional continua a funcionar como pilar de credibilidade, de especialização e de presença jornalística a nível local.