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Zelenskyy: ataque russo a mosteiro de Kiev é "um dos crimes mais graves contra a cultura cristã"

Bispo Avraamiy da Lavra de Kiev-Pechersk observa a Catedral da Dormição em chamas, conhecida como Mosteiro das Grutas, durante um ataque russo a Kiev, Ucrânia, em 15 de junho
Bispo Avraamiy da Lavra de Kiev-Pechersk observa a Catedral da Dormição em chamas, ou Mosteiro das Grutas, durante ataque russo a Kiev, Ucrânia, 15 de junho Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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Mosteiro das Grutas, um dos principais símbolos históricos e religiosos da Ucrânia, foi atingido no ataque noturno com drones e mísseis de Moscovo, na segunda-feira, que o presidente Zelenskyy classificou como "um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até hoje".

Quando, na madrugada de segunda-feira, soaram as primeiras explosões em Kiev, começaram a circular nas redes sociais imagens que mostravam chamas a erguerem-se sobre o complexo religioso do Mosteiro das Grutas, ou Mosteiro de Kiev-Petchersk, classificado como Património Mundial da UNESCO.

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Para milhões de ucranianos que procuravam abrigo em todo o país — incluindo cerca de 42.000 pessoas que passaram a noite nas estações de metro da capital — ver a catedral sob ataque foi um choque particularmente doloroso.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, classificou o ataque à histórica catedral como “um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até agora” e apelou aos líderes do G7, reunidos em França, para aumentarem a pressão sobre Moscovo.

“É muito importante que haja uma resposta por parte dos países do G7, que agora se reúnem para a sua cimeira – e que essa resposta seja firme e concreta: mais pressão sobre o agressor e mais apoio à defesa aérea da Ucrânia, em especial às capacidades antibalísticas”, disse o presidente ucraniano.

Zelenskyy visitou o local na manhã de segunda-feira, acompanhado pela primeira-ministra Yuliia Svyrydenko e de outros membros do governo, enquanto prosseguiam as operações de salvamento e, apesar dos estragos na igreja, os sinos do mosteiro voltavam a fazer-se ouvir em Kiev.

“Um ataque brutal contra o nosso povo e o nosso património. Este é o verdadeiro rosto dos valores ortodoxos da Rússia”, afirmou Svyrydenko.

“Pedimos orações para salvar o santuário da destruição. Mais um crime russo contra a humanidade, contra a história, contra o cristianismo”, acrescentou.

Socorristas tentam apagar um incêndio na Catedral da Dormição do milenar Mosteiro das Grutas, após um ataque russo a Kiev.
Socorristas tentam apagar um incêndio na Catedral da Dormição do milenar Mosteiro das Grutas, após um ataque russo a Kiev. AP Photo

Relíquia histórica, religiosa e cultural essencial da Ucrânia

O chefe da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, o metropolita Epifânio, foi um dos primeiros a confirmar, nas redes sociais, o ataque russo à catedral, ao publicar na rede X que o telhado da Catedral da Dormição do complexo tinha ardido durante o bombardeamento.

Condenou o ataque como mais um crime russo “contra a humanidade, contra a história, contra o cristianismo” e apelou a orações para salvar o local.

“Pedimos orações para salvar o santuário da destruição. Mais um crime russo contra a humanidade, contra a história, contra o cristianismo.”

O Mosteiro das Grutas é um vasto complexo de mosteiros e igrejas, algumas subterrâneas, construído entre os séculos XI e XIX.

Algumas das igrejas deste local classificado como Património Mundial da UNESCO estão ligadas por um labirinto de grutas com mais de 600 metros.

A Ucrânia irá “iniciar com urgência” procedimentos junto da UNESCO e de outros mecanismos internacionais para garantir “respostas imediatas e adequadas a esta barbárie de Estado”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, na rede X.

O ataque é um dos golpes mais significativos contra o património cultural ucraniano desde o início da invasão russa em grande escala.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, afirmou que o ataque é “equivalente, para nós, franceses, a um bombardeamento de Notre-Dame”, numa referência à icónica catedral de Paris.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o ataque apenas reforça a determinação dos aliados da Ucrânia em procurar um cessar-fogo e trabalhar pela paz.

“Tal como nada pode justificar a guerra de agressão que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de quatro anos, nada pode justificar este ataque ao nosso património universal comum”, escreveu Macron nas redes sociais.

Telhado da Catedral da Dormição em chamas, segunda-feira, 15 de junho de 2026.
Telhado da Catedral da Dormição em chamas, segunda-feira, 15 de junho de 2026. AP Photo

Ataque russo, considerado deliberado, atinge a história da Ucrânia

Quando a Rússia atingiu o complexo de mosteiros, funcionários apressaram-se a retirar ícones antigos, obras de arte e outras relíquias religiosas de um local que alberga alguns dos santuários mais venerados da Ucrânia.

Para muitos ucranianos, é muito mais do que um complexo monástico: é um elo vivo com a antiga Rus de Kiev, o primeiro Estado eslavo oriental, e um símbolo de uma tradição histórica e espiritual ininterrupta enraizada em Kiev, e não em Moscovo.

A catedral, as suas igrejas e os edifícios monásticos vizinhos erguem-se em encostas sobre a margem direita do Dnipro, num local de peregrinação com séculos que concentra, num único complexo, a vida religiosa, o saber e a memória cultural da Ucrânia.

Qualquer ataque ao local é, por isso, sentido não apenas como destruição de tijolos e frescos, mas como uma agressão a essa continuidade e à própria identidade ucraniana, razão pela qual tem um impacto tão profundo, muito para lá da capital.

Uma das mais destacadas defensoras dos direitos humanos da Ucrânia e co-galardoada com o Prémio Nobel da Paz de 2022, Oleksandra Matviichuk, disse que a Rússia **"**atingiu deliberadamente o Mosteiro – construída na época da Rus de Kiev, quando a própria Moscovo ainda não existia – com um drone russo”.

“A Igreja na Rússia foi capturada pelos serviços de segurança. É por isso que os padres russos apoiam a guerra e abençoam os mísseis e drones que atingem igrejas cristãs”, acrescentou Matviichuk.

“Vamos reconstruir o Mosteiro. E aqueles que apoiam o Estado russo, que combate Deus e as igrejas, serão responsabilizados pelos seus atos.”

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